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A COP 17 chega ao fim!

Maureen Santos – FASE/GT Clima Rebrip

Na tradução da fala da presidenta da COP 17/MOP8 abaixo, ela aponta os cinco documentos acordados. Em resumo seria que saiu o segundo periodo do protocolo de Quioto, com corte entre 25% e 40% niveis de 1990, mas ficou em aberto se isso deveria ser cumprido até 2017 ou 2020; saiu a aprovação do Fundo Verde, mas ficou em aberto a questão da gestão (Catarina acompanhou mais esta parte de financiamento e poderá informar melhor dos resultados); em LCA o texto tambem foi aprovado e daí varias novas medidas, mas em relação aos temas que estavamos mais acompanhando aqui,  em REDD+ não saiu nada sobre financiamento, ficou totalmente em aberto o que sobra mais tempo para continuarmos a pressão contra um mecanismos de mercado e em salvaguardas também praticamente nada, seria um bom tema para incluirmos em nossas discussões e fortalecermos a resistência, e em agricultura, ainda bem que não foi aprovado o programa de trabalho que estava proposto, mas abriram uma negociação dentro do SBSTA (corpo subsidiário de implementacao tecnico-cientifica) para começar na proxima COP, ou seja, é outro tema importante para os movimentos sociais do campo pautarem, porque se criarem um programa de trabalho possivelmente num futuro próximo poderá surgir um mecanismo de agricultura com os problemas que já estamos vendo com o REDD+.

Sobre um acordo vinculante para 2020, aprovaram um guia para continuar a negociação, mas está em uma linguagem para agradar os gregos (EUA e cia) e os troianos (India, especialmente), com isso não aprova formalmente um novo protocolo ou acordo, mas abre uma negociação sobre um novo regime.(Anexo em espanhol)

CJN Durban press release ESPAÑOL final

(Tradução livre)

DECLARAÇÃO DE ENCERRAMENTO COP17/CMP7(Declaração versão inglês)MINISTRA Maite Nkoana-Mashabane

11 de dezembro de 2011, Durban (entregue 05h10am hora local)

Senhores Ministros e delegados, estamos agora na conclusão do COP17/CMP7.

Eu quero utilizar esta oportunidade para agradecer a todos vocês por sua dedicação, trabalho duro e pelo espírito do Ubuntu e do compromisso que prevaleceu durante esta Conferência.

Eu aplaudo vocês pelo que foram sido capazes de fazer aqui em Durban. Vocês estavam preparados para mostrar a vontade politica necessária política avançar com este processo. Em minha mente não há dúvida que “trabalhamos juntos para salvar o amanhã, hoje!”

Eu acredito que a Indaba lançou as bases para esta Conferência. Indaba, como se recorda, é uma palavra em zulu que se refere a uma reunião de pessoas com a finalidade de debater um assunto de grande importância para a comunidade, na tentativa de encontrar um pensamento comum ou uma história comum que todos os participantes fazem parte dela. Mudança climática é o nosso problema comum e que afeta a todos nós e a Plataforma de Durban é a história que vamos levar para casa conosco.
Nossa intenção com a Indaba foi restaurar a confiança no sistema multilateral e consagrar a transparência e inclusão no interior do processo conduzido pelas partes. As decisões que tomamos aqui são verdadeiramente históricas e incluem o seguinte:

i) A emenda do Protocolo de Quioto;
ii) As decisões do LCA;
iii) O Fundo Verde do clima;
iv) O futuro do regime de mudança climática.
Por isso, gostaria de felicitar todas as delegações por sua liderança e emergência , nos momentos em que mais foram exigidos. No início, nós lhe pedimos para mostrar liderança nas ações e pensar para além de suas posições nacionais. Vocês claramente demonstraram seu empenho e vontade de alcançar um resultado amplo e equilibrado do que todos nós podemos nos orgulhar.

Mais uma vez quero expressar os nossos parabéns para o Catar como Presidente da COP18/CMP8 para estar preparado para sediar a próxima Conferência. Aqui não podemos omitir o gesto gracioso de compromisso da Coreia do Sul oferecendo para sediar as reuniões ministeriais informais em preparação para COP18/CMP8.

De minha parte e da minha equipe, eu gostaria de transmitir uma palavra especial de agradecimento à Secretária Executiva, Ms. Christiana Figueres e equipe UNFCCC por seu muito apreciado apoio profissional. Estamos ansiosos para continuar trabalhando juntos na continuidade adicional de nossos deveres como COP17/CMP7 Presidente.

Por fim, mas não menos importante, agradeço à cidade de Durban, ao ICC e todos seus funcionários de apoio que trabalham duro, que passaram horas nesta maratona contribuindo para o sucesso deste evento.
Espero que seu tempo em Durban e na África do Sul continue sendo memorável e que vocês fiquem mais um tempo para relaxar e desfrutar o que a cidade e o  país tem a oferecer.

Desejo-lhes uma viagem segura de volta para seus respectivos países e estou ansiosa para vê-los novamente no próximo ano, quando começarmos com os nossos preparativos para COP18/CMP8.

Informe 5 – COP 17

Maureen Santos – FASE/GT Clima Rebrip

Tá rolando o maior climão: sem acordo e com muitas diferenças, COP 17 se estende até sábado talvez domingo.

 

Nos últimos dias, as negociações da COP caminhavam rumo a um fechamento com a aprovação do segundo período de Kyoto mais esvaziado e a possibilidade de um acordo vinculante para 2020, envolvendo todos os países, tendo até o final 2015 para fechar a proposta.

Ontem, o texto do CMP (Conferência das Partes do Protocolo de Kyoto) foi rechaçado em plenária pelos países do G77 e China, União Européia, LDC’s, ALBA, AOSIS (grupo das ilhas insulares) obtendo apoio essencialmente  dos Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália e Japão. O texto não previa a aprovação do 2º período de Kyoto e alterava alguns termos da proposta principal em jogo chamada Road Map (proposta da UE com pontos sobre 2 período e para construção de um novo regime climático).

Da plenária final do CMP, os ministros seguiram para continuar a reunião de Alto nível que foi bastante tensa subindo o tom das negociações. Neste momento, um grupo de 200 manifestantes de várias organizações e movimentos sociais, ONGs e redes internacionais fizeram um protesto do lado de dentro de conferência, gritando palavras de ordem e cantando músicas em zulu, exigindo um olhar especial para a África, justiça climática, Banco Mundial fora das negociações de clima, penalidades para os poluidores e um acordo que realmente possa enfrentar a crise climática, reconhecendo a dívida histórica ecológica e climática dos países do Norte e rechaçando um acordo sujo (dirty deal). Vários delegados entregaram suas credenciais e foram expulsos pacificamente pela segurança. Aliás, a polícia sul-africana durante toda a Cúpula deu exemplo e respeitou os espaços de protesto (como a marcha que seguiu até a conferência oficial dia 03) mas não podemos dizer o mesmo da segurança das Nações Unidas.

A manifestação veio em boa hora e deu fôlego e suporte para que os países “em desenvolvimento” rechaçassem a possibilidade de um acordo fraco e que traria mais prejuízos para suas populações. Teve de tudo na reunião de alto nível desde muitas trocas de acusações à choro de ministros. A falta de notícias fora das quatro paredes da sala deixou todos os delegados/as e observadores da sociedade civil em momento de grande expectativa e sem dormir.

A chair da Conferência preparou um documento chamado “INDABA: The Bigger Picture” no qual tentou fechar um acordo geral, este texto foi apresentado em reunião ministerial depois da meia noite. Antes da apresentação do texto, a reunião começou discutindo o que se tinha chegado de proposta sobre financiamento e o Fundo Verde foi tema polêmico entre o Paquistão, que falou pelo G77, e os Estados Unidos, essencialmente. A ministra da Guatemala pediu em um momento para a chair trancar a sala e só deixar os ministros saírem depois de firmado um acordo.

Sai da reunião por volta das 1:30 da manhã, ainda no debate sobre financiamento. Hoje a informação que circulava é que a reunião foi adiada para continuar hoje e não se chegou a nenhum acordo. Além disso, outros momentos de tensão ocorreram como, por exemplo, quando a delegada da Papua Nova Guiné mandou os EUA sair da sala e abandonar a negociação, já que não tinham vontade de negociar. A reunião acabou por volta das 4 da manhã.

Hoje a COP foi estendida e continuam as negociações a nível ministerial. Várias delegações acham que não será possível chegar a um acordo. A ministra francesa, por exemplo, twittou várias vezes esta manhã esta possibilidade. No entanto, não acaba enquanto não termina e alguns de nós continuaremos aqui e enviaremos mais notícias assim que tudo acabar.

Segue o link com os textos divulgados ontem de madrugada e hoje pela manhã (como não foram aprovados ainda, serão analisados no próximo informe final com o que for aprovado caso saia um acordo de Durban).

http://unfccc.int/2860.php

Informe 4 – COP 17

Catarina Silveira – CUT/GT Clima Rebrip
Maureen Santos – FASE/GT Clima Rebrip
Marcelo Montenegro – Actionaid Brasil/GT Clima Rebrip


A pergunta que não quer calar: frente a aprovação do novo código florestal o Brasil poderá cumprir suas metas voluntárias?

Esta é a pergunta que está sendo feita pela imprensa e diversos governos para o Brasil hoje na conferência. Com a aprovação do novo código florestal no Senado, que inclui flexibilidades como a anistia para os desmatadores, redução de reserva legal e APP, o Brasil começa a ser questionado se realmente ele poderá manter sua meta de redução de emissões entre 36 e 38% até 2020. Vale lembrar que este compromisso é legal, ou seja, foi ratificado na lei 12.187/2009, que instituiu a Política Nacional de Mudança do Clima.

Em conferência de imprensa realizada no dia de hoje pelo Comitê em Defesa das Florestas foram apontados algumas das preocupações que compartilhamos: o fato do Brasil ter responsabilidades diferenciadas na Convenção do Clima não significa não ter responsabilidade. As alterações do Código florestal reduzem a proteção das florestas, anistia desmatadores e aumenta o desmatamento.

Na segunda feira, o Brasil havia apresentado os dados promovidos pelo INPE em relação à redução de 11% do desmatamento no último ano e vinha utilizando isso como argumento sobre a boa conduta brasileira frente à redução de emissões e para tentar neutralizar o burburinho que poderia surgir caso a lei do novo Código fosse aprovada. Não adiantou muito, pois o dia de hoje começou com várias matérias na imprensa internacional* e com muitos questionamentos na Conferência oficial sobre a diferença entre o discurso e a prática brasileira na questão.

Em relação aos temas negociados…

As reuniões informais continuam fechando os textos negociadores. Hoje foi divulgado um novo texto para o LCA (cooperação de longo prazo), um pacotão de 138 páginas que eles chamam de “amálgama”. Enquanto isso, o texto do KP (Protocolo de Kyoto) ainda não foi compilado da mesma forma. Além disso, começaram também as reuniões de alto nível com Chefes de Estado e Ministros. Muitos temas serão transferidos para os Ministros decidirem, o que significa resoluções políticas e não técnicas, ou que levem em considerações as questões sociais.

Ontem, várias organizações indígenas realizaram uma ação dentro da Conferência com uma coletiva de imprensa para exigir uma moratória para o mecanismo de REDD+**, dizendo que tudo o que foi prometido não foi cumprido, que as salvaguardas são muito fracas, e que os povos indígenas não estão sendo escutados e já estão sendo impactados pelos projetos em curso.

Agricultura (sectorial approaches): Este tema deverá ser trabalhado nas negociações em nível ministerial, por se tratar de um tema sensível. Portanto, uma decisão que inicie um programa de trabalho em agricultura dentro das negociações pode ocorrer e vem sendo defendida pela União Africana, o que pode ser problemático, haja vista os exemplos dos mecanismos mercadológicos já estabelecidos na Convenção. Fora do debate oficial, FAO, Banco Mundial e diversos governos estão lançando a chamada agricultura inteligente para o clima (climate smart agriculture), um conjunto de propostas que inclui metodologias que possuem diagnósticos próximos aos que os movimentos e organizações discutem em relação à agricultura familiar e camponesa ou à agroecologia e clima, mas que sua implementação é muito preocupante, pois inclui o mercado de carbono como uma das principais formas de financiamento, além de não haver menções contrárias aos transgênicos ou aos agrotóxicos.

Fundo de Adaptação e Comitê de Adaptação: os delegados estão decidindo sobre a revisão do Fundo e o corpo político que irá gerenciar. Sobre o Comitê a discussão está caminhando em direção à composição do Comitê e as conexões com outros programas de trabalho ligados ao tema da adaptação.

Financiamento: os mesmos pontos seguem na mesa e sem resolução: acesso aos fundos (direto ou indireto); proporção entre fundos públicos e privados, e como garantir no caso do segundo tipo; e se será via empréstimos ou/e doação. Uma das perguntas que seguem sem resposta é a da capitalização do fundo, da onde virá o primeiro montante. O problema é que a maior parte dos ministros que participam do segmento do alto escalão, não vem com mandatos para resolver essa questão. Quanto a mecanismos inovadores, nada passa a forte barreira da Arábia Saudita. Fundo Verde: provavelmente será lançado em Durban mas resta sabem com que dinheiro funcionará.

REDD+ e financiamento (LCA): o texto continua entre colchetes. Várias delegações são a favor da combinação de financiamento que mais atendam as condições nacionais, neste caso ficaria em aberto. Outros defendem fundos públicos e privados com textos separando o REDD+ em três fases, nas duas primeiras fontes privadas e na terceira fontes privadas.

Sobre KP continua na mesma, estamos aguardando as próximas notícias.

Ontem, o BASIC realizou uma conferência de imprensa no qual apresentaram essencialmente a posição do grupo informal sobre finanças e querem que o mecanismo de financiamento de longo prazo seja institucionalizado o mais rápido possível, assim como o Fundo Verde deve ser estabelecido nesta COP. Disseram que estão trabalhando juntos com o G77 para encontrar um caminho para que Durban seja um sucesso e querem uma decisão sobre o 2º período de compromissos de Kyoto. Sobre a possibilidade de um acordo vinculante para 2020, India expressou suas preocupações com o gap existente entre os países do Anexo I e os países em desenvolvimento e que o mundo não pode esquecer da quantidade de pobres que existem nestes países e que, portanto, a equidade é um tema fundamental e que estes países tem o direito de crescer. Apresentou também preocupações em relação às atitudes unilaterais da União Européia como, por exemplo, o imposto de carbono que estão criando para taxar a navegação.

A coletiva demonstrou que o BASIC não tem uma posição consensuada sobre um acordo legalmente vinculante para todos os países em 2020, enquanto Brasil e China aceitariam a principio, obviamente desde que Estados Unidos façam o mesmo, India não neste momento.

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/12/brasil-manda-mensagem-contraditoria-sobre-meio-ambiente-para-o-mundo-diz-jornal.html

** Matéria sobre a chamada dos povos indígenas por uma moratória em REDD+ http://climate-connections.org/2011/12/06/indigenous-peoples-and-allies-call-for-a-moratorium-on-redd/

ERRATA INFORME 3 – página 02  - financiamento 

Estará em debate na segunda e última semana de negociações o standing committee do Fundo Verde, que é o comitê que irá definir o que será feito com o dinheiro do fundo. E a grande disputa é a quem este comitê vai reportar, se é à COP ou ao SBI. Outra discussão é se o texto será aprofundado incluindo pontos específicos de ações para o comitê ou se o comitê vai ter um grupo de ações mais gerais.

Informe 3 – COP 17


Catarina Silveira – CUT/GT Clima Rebrip
Maureen Santos – FASE/GT Clima Rebrip
Marcelo Montenegro – Actionaid Brasil/GT Clima Rebrip


Fim da primeira semana de negociações: a pizza começa a ser montada!

Terminou a primeira semana de negociações da COP 17, em Durban e o fim da semana foi marcado pelo Dia de Ação Global com uma marcha pacífica e alegre, em torno de 10 mil pessoas, organizada pelo Peoples Space C17. Ocorreram alguns tumultos no percurso devido a infiltração de um grupo de um partido local que levou centenas de voluntários da COP 17 para marchar. A marcha chegou até a Conferência oficial (ICC), mas não teve a tentativade entrar na Conferência. Vejam as fotos nos links no fim do informe.

Do lado de dentro, alguns caminhos começaram a ser traçados rumo a possível adoção do 2º período de compromissos do Protocolo de Kyoto, mas as propostas significariam mais a salvação do Protocolo do que tomar medidas efetivas de enfrentamento da crise climática.

Um destes caminhos, o mais possível, seria a adoção de uma ementa que garantiria a implementaçãodo segundo período a partir possivelmente de 2013. Esta proposta está sendo discutida entre G77 + China e União Européia. Canadá, Japão e Rússia continuam negando qualquer possibilidade de assinar um segundo período, mas sendo uma emenda não necessitaria que todos os países partes do Protocolo assinassem para que o mesmo tenha continuidade.

O que está em jogo nesta negociação é que, por um lado, a União Européia toparia assinar a ementa e ter um corte de emissões de 20 a 30% para este segundo período, mas por outro, as maiores economias (isso inclui obviamente os países emergentes, mas não há uma definição clara sobre como definir este grupo) aceitariam começar as negociações para um acordo legalmente vinculante para 2020.

O Brasil e a China aceitariam esta barganha, mas sobre a posição da Índia isso ainda não está claro. Os Estados Unidos, para variar, continuam se recusando a um compromisso legalmente vinculante e a princípio não aceitariam este acordo. Um acordo neste sentido sem a presença dos Estados Unidos, o principal emissor de gases de efeito estufa histórico e atual, debilita fortemente um regime global de clima.

Sobre o LCA – cooperação de longo prazo, que é o segundo trilho das negociações – foi apresentado no sábado uma versão consolidada do draft final. Esta versão está sendo criticada por parte dos países em desenvolvimento e LDCs (menor desenvolvimento) porque não representa um resultado balanceado e abrangente (comprehensiveandbalancedoutcome) das negociações até o momento.  Além disso, colocam como texto base os resultados de Cancun, sem levar em consideração o Plano de Ação de Bali.

Sobre temas específicos no LCA:

Agricultura: dentro abordagem setorial (sectorial approaches) começou a ser discutido e continua o debate sobre como incluir a agricultura nas negociações de clima, seja a partir da criação de um novo programa de trabalho sobre o tema, seja dentro de adaptação ou em mitigação e em que corpo negociador (LCA ou em SBSTA – implementação de assessoria técnico científica). No SBSTA entraria mais para discutir metodologia dentro de adaptação e mitigação em relação, por exemplo, a contabilização de emissões de GEE em agricultura. Em LCA o foco poderia mais em adaptação, como a proposta de alguns países africanos. Os países do G77 querem que, independente de onde entrar, a negociação se baseie nos princípios da Convenção, como responsabilidade comum porém diferenciadas e equidade (general framing).

Financiamento: Novas fontes de financiamento e mecanismos inovadores vão ficar para serem negociados na COP 18…ou seja, mais uma vez postergaram as negociações sobre novas taxações, por exemplo.

Estará em debate na segunda e última semana de negociações o standingcommittee do Fundo Verde, que é o comitê que irá definir o que será feito com o dinheiro do fundo. E a grande disputa é a quem este comitê vai reportar, se é à COP ou aoSBI. Outra discussão é se o texto será aprofundado incluindo pontos específicos de ações para o comitê ou se o comitê vai ter um grupo de ações mais gerais.

REDD+ e Salvaguardas: o texto saiu muito fraco, haja vista que as modalidades de salvaguardas propostas no Acordo de Cancun foram bastante rebaixadas (veja item recordar é viver mais abaixo). Então qualquer implementação do que estava previsto, será muito ruim. Vem se conformando por parte de várias organizações aqui presentes que é melhor não aprovar nenhum texto sobre salvaguardas do que o que está previsto. O Brasil está bloqueando as negociações por não aceitar especialmente a necessidade de futuras diretrizes a serem consideradas e aponta problemas em relação a parte de Comunicação Nacional.

REDD+ e financiamento: o texto continua entre colchetes, ou seja, não tem acordo. Inclui financiamento com fontes variadas, o que entra as baseadas no mercado.

Recordar é viver e ficar atento!

Veja abaixo o que foi aprovado do mecanismo de REDD+ no Acordo de Cancun, COP 16 (FCCC/AWGLCA/2009/17 pp. 34-37.)

Atividades
Redução de emissões por desmatamento e degradação;

Conservação de estoques de carbono florestal;

Aumento de estoques de carbono florestal;

Manejo florestal sustentável.

Salvaguardas
Consistência com políticas nacionais e Convenções e Acordos internacionais relevantes;

Estruturas de governança florestal transparentes;

Respeito aos direitos e conhecimentos das populações indígenas e comunidades locais;

Participação plena e efetiva dos atores relevantes, incluindo populações indígenas e comunidades locais;

Consistência com a conservação das florestas nativas e com a diversidade biológica;

Ações para garantir a permanência;

Ações para prevenir vazamentos.

Implementação
Estratégia ou plano de ação nacional;

Nível de referência de emissões florestais nacional;

Sistema de monitoramento nacional, podendo ser subnacional de forma interina, devendo, nesse caso, informar sobre ações para impedir vazamentos em nível nacional e os meios para constituir no futuro o monitoramento nacional;

Sistema de acompanhamento e informação sobre o respeito e observância das salvaguardas;

Identificação dos vetores do desmatamento e degradação, questões fundiárias, governança florestal, questões de gênero e salvaguardas;

Promoção da participação plena e efetiva dos atores relevantes, dentre os quais, populações indígenas e comunidades locais.

Abordagem de 3 Fases

1ª Fase:

Desenvolvimento de estratégia ou plano de ação nacional, construção de capacidades.

2ª Fase:

Implementação de políticas nacionais e da estratégia ou plano de ação nacional, podendo ser subnacional se apropriado, ainda com o apoio à construção de capacidades e transferência de tecnologia; atividades demonstrativas baseadas em resultados quantificáveis.

3ª Fase:

Ações quantificáveis que deverão ser plenamente mensuráveis, reportáveis e verificáveis (MRV).

Financiamento
Por iniciativas bilaterais ou multilaterais;

Fotos da marcha:

- fotos produzidas pela CSA e CSI

http://www.flickr.com/photos/55206205@N05/sets/72157628286647733/

http://www.flickr.com/photos/ituc/sets/72157628259826149/

- fotos produzidas pelo Alter-Echos, por Maxime e Sophie

https://picasaweb.google.com/103779396884963073948/ManifestationPourLaJusticeClimatiqueDurban3122011?authuser=0&authkey=Gv1sRgCL3VxfO_xqPJ-wE&feat=directlink#slideshow/5681926571079145794

NEGOCIAÇÕES CLIMA PRÉ-COP 17 – CIDADE DO PANAMÁ

Informe 2: Kyoto ou não Kyoto? eis a questão…Um segundo período fraquinho é melhor que período nenhum?

Por Maureen Santos – FASE/GT Clima REBRIP
Marcelo Montenegro – Actionaid Brasil/GT Clima REBRIP

Os países em desenvolvimento vêm atuando para tentar destravar as negociações e puxar de alguma forma para um resultado mais efetivo em Durban, especialmente no que diz respeito a temas sensíveis como em financiamento, em que adaptação aparece como um tema forte. Desta forma, a expectativa destas negociações do Panamá é que se possa sair com um texto de negociação para Durban. Todos os facilitadores estão com este mandato e vários drafts vêm sendo produzidos. Como a COP 17 será realizada em um país africano, isto também implica em uma pressão política para que as demandas dos países africanos possam ser atendidas. De qualquer forma, o cerne da questão na Convenção é como se dará, ou se irá surgir algum acordo milagroso referente ao corte de emissões dos países desenvolvidos. Isto permanece como a grande duvida a ser respondida.

Os Estados Unidos já deixaram claro que para Durban não terá acordo legalmente vinculante no que diz respeito ao corte de emissões. Ou seja, provavelmente não haverá decisão vinculante também dentro das ações de cooperação de longo prazo (LCA), em que poderia incluir os EUA (que estão fora das ações referentes ao Protocolo de Kyoto (KP) exatamente porque não ratificaram o mesmo). Resta saber se o grupo chamado Umbrella irá nesta mesma direção, uma vez que alguns de seus membros já se pronunciaram que não pretendem aceitar um segundo período de compromissos de Kyoto.

Segundo negociador brasileiro, como as negociações estão sendo feitas nos chamados dois trilhos (LCA e KP), o país tem se orientado pela prioridade de reunir as condições necessárias em relação a um 2º período de compromissos de Kyoto. Ou seja, somente tendo maior clareza sobre os avanços no Protocolo é que poderão avançar também no LCA no que diz respeito aos temas acordados em Cancun.

O Brasil continua coordenando as negociações do KP e tem explorado possibilidades para um acordo em Durban. Ainda segundo ele, não é necessário um consenso para se ter o segundo período de compromissos. Seria feito através de uma emenda ao Protocolo e, para isso, a regra é por votação.

Sendo assim, mesmo que os países do grupo Umbrella não votem a favor, seria aprovado o segundo compromisso, que passaria a valer só para os que assinarem a emenda. Apontou que não seria o melhor cenário, mas salvaria o Protocolo.

Ainda sobre este tema, questionamos como é o processo de penalidades previsto pelo não cumprimento de Kyoto e ele informou que a observância é fraca no Protocolo e que só há alguns pontos efetivos caso todos os países aceitem um segundo período de compromissos. Isto ignifica que as penalidades só poderiam ser aplicadas para os que assinarem. E mesmo assim não seriam muito efetivas, pois uma das penalidades previstas para os que não cumprirem as metas, por exemplo, é a não possibilidade de utilização do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) após 2012. Entretanto, como os países estão usando e abusando deste e outros mecanismos de flexibilidades previstos em Kyoto (Cap-and-trade, Implementação conjunta), eles não teriam problema em fechar as contas antes de serem penalizados. Até porque é mais barato para os países desenvolvidos comprar os créditos do que reduzir efetivamente suas emissões. Com exceção do MDL de floresta (reflorestamento com monocultivo), que tem limite, os outros tipos de MDL não tem limite em relação a sua utilização para contagem de redução da meta.

Em relação aos outros temas…

Em REDD+ a discussão está girando em torno de como o mecanismo será financiado. A maioria das propostas defende mecanismos públicos e privados, como nas recomendações que foram circuladas ontem pela Papua Nova Guiné, e que contou com o apoio vários países em desenvolvimento. A parte específica do texto sobre isso diz: “Reafirmando que os fundos devem ser proporcionais, novos e adicionais, previsíveis e adequados e devem ser fornecidas àqueles países em desenvolvimento e que o financiamento pode vir de uma ampla variedade de fontes, públicas e privadas, bilaterais e multilaterais, inclusive de fontes alternativas”, e “Decide que as fontes de recursos para a completa implementação dos resultados baseados nas ações, acompanham o monitoramento, comunicação e verificação apropriada dos processos no âmbito nacional, e devem vir de uma flexível combinação de fontes públicas e privadas, incluindo o mercado”.

O Brasil não entrou neste debate específico, mas reafirmou a experiência do Fundo Amazônia como mecanismo adicional e voluntário. Também disse que REDD+ deve ser parte da arquitetura financeira de clima e que o país tem interesse em avançar nisso para Durban, em paralelo a outros temas do LCA. E que não se opõem ao tema do REDD+ ser incluído no Comitê Transicional do Fundo Verde, mas é necessário avançar primeiramente em um escopo e em um resultado positivo em Durban deve ser acompanhado da implementação do Fundo Verde.

A Bolívia rechaçou a abertura das fontes para o mercado, especialmente o mercado de carbono e a compensação, dizendo que qualquer ação relacionada à REDD+ deve estar conectada com a multifuncionalidade do sistema ecológico, e que estes mecanismos de compensação violam esta multifuncionalidade. Reafirmaram também que rejeitam falsas soluções que nao resolvem o problema e que transferem para o sul a responsabilidade, assim como transformam a natureza em commodity, violando a soberania dos países e dos povos a seus territórios. E, segundo ele, a especulação criada por estes mercados só irá beneficias os investidores e não vai apoiar os esforços de redução do desmatamento. Por fim, afirmaram que querem em Durbam que uma janela (window) possa ser aberta sobre REDD+ no Fundo Verde e que a possibilidade de captação poderia ser proveniente da taxação das transações financeiras internacionais, deixando os mecanismos de mercado somente para o Protocolo de Kyoto.

Apesar do Brasil não se opor a esta janela para o REDD+ no Fundo Verde, diz que possivelmente em Durban deverá sair só duas janelas mais gerais: uma para mitigação e outra para adaptação, já que há
países como a Arábia Saudita que questionam um mecanismo financeiro específico para isso.

Sobre o mecanismo de Tecnologia, apesar de já estar discutindo a implementação do Centro e Rede de Tecnologia climática, o escopo do mecanismo está aberto bem como as definições sobre o que querem dizer com Tecnologia amigável ao clima (Climate Friendly Technology). India, em nome do G77 + China chegou a propor a inclusão do termo “para mitigação e adaptação”. Nossa parceira, a organização ETC,distribuiu um paper denominado “Pode o Novo Mecanismo de Tecnologia trabalhar com Novas Tecnologias? O caso da geoengenharia”, no qual aponta várias preocupações sobre estas negociações e defende que devem ser primeiro resolvidos quatro pontos cruciais para que o mecanismo de tecnologia seja efetivo para o combate as mudanças climáticas, entre estes pontos aponta a necessidade de definição do que é esta tecnologia, pois a geogenharia deve ser excluída disso.¹

Ações do lado de fora…

Nos dias 01 e 02, foi realizado o Fórum Alternativo sobre Mudança Climática, e parte da declaração segue abaixo. Foi incluída uma chamada para mobilizações visando a Rio+20, em junho do próximo ano.

Declarácion del Foro Alternativo sobre Cambio Climatico

Miembros de comunidades y organizaciones sociales campesinas, pueblos indígenas, afrodescendientes, académicos, estudiantes, mujeres, de la región mesoamericana, reunida en ocasión del Foro Alternativo sobre Cambio Climático, realizado en la ciudad de Panamá, del 1 al 2 de octubre de 2011.

Considerando:

1. Que la crisis del cambio climático, generada por la industria y agroindustria contaminante de los países industrializados, el uso de combustibles fósiles, es una realidad y sus efectos son palpables em todo el planeta, especialmente en los pueblos con menos responsabilidad en la existencia de las causas del cambio climático.

2. Que los pueblos del mundo nos movilizamos en la búsqueda de alternativas ante la indiferencia de los gobiernos con las necesidades de los pueblos. Que tal exclusión plantea un fuerte cuestionamiento al principio de representatividad, pues en tal condición los Estados no representan a sus poblaciones, ni podrán representarlos mientras siga el colonialismo interno de los pueblos diversos que viven dentro de las fronteras de los Estados y la subordinación a los intereses de los poderes públicos de los Estados a los centros de poder político, económico y militar: las corporaciones transnacionales e Instituciones Financieras (Banco Mundial y Fondo Monetario).

(………)

Declaramos:

1. Los procesos económicos promovidos desde el sistema capitalista depredador y contaminante se basa en violaciones a los derechos humanos de pueblos indígenas originarios, comunidades campesinas, pescadores artesanales y un número cada vez mayor de personas, a través del despojo y la explotación en proyectos extractivos, energéticos o actividades innecesarias o improductivas destinadas al lucro y la satisfacción de los deseos de una minoría de la humanidad, con consecuencias ecológicas que también atentan contra los derechos humanos de las víctimas.

2. Una de estas consecuencias es la crisis climática que nos reúne, a partir de la cual se quieren imponer bajo el discurso de desarrollo, falsas soluciones a los pueblos, como los mercados de carbono, “mecanismos de desarrollo limpio”, REDD entre otros, basada en la misma lógica de lucro, especulación, acaparamiento de bienes comunes y explotación de las mayorías.

(….)

Proponemos:

1. Reconocer a la Madre Tierra como fuente única de la vida y forjar un nuevo sistema basado en los principios de equilibrio entre todos y con todo, complementariedad, solidaridad, y equidad, bienestar colectivo y satisfacción de las necesidades fundamentales de todos respetando los derechos de la Madre Tierra, reconocimiento de la dignidad humana y respeto a los derechos humanos, eliminación de toda forma de colonialismo, imperialismo e intervencionismo, paz y justicia entre los pueblos y con la Madre Tierra.

2. Pensar el desarrollo y realizar las acciones tendientes al mismo, lejos del paradigma del crecimiento económico y la competencia entre países y personas, apegados al paradigma de la economía solidaria, buen vivir, del bienestar y realización integral del ser humano en armonía con la comunidad y la naturaleza. En tal sentido, rechazamos el desarrollo de proyectos extractivos y energéticos contaminantes y no orientados según los principios antes mencionados.

(….)

Convocamos a apoyar de manera organizada y pacífica, las distintas movilizaciones en el país y la región en conmemoración del 12 de octubre, por la memoria y el futuro, por la soberanía alimentaria y contra la visión neoliberal en la política y por la superación del sistema capitalista.

Convocamos a participar en la semana de Acción Global contra la Deuda Financiera y Ecológica y las instituciones financieras internacionales (Banco Internacional de Desarrollo, Fondo Monetario Internacional, Banco Mundial del 8 al 16 de octubre.

Convocamos a apoyar de manera organizada y pacífica las actividades de comunidades y organizaciones el 16 de octubre, día internacional de la soberanía alimentaría, en defensa de las semillas nativas y la Madre Tierra.

Convocamos a realizar de manera organizada y pacífica, jornadas de acciones de acuerdo a la Conferencia de las Naciones Unidas sobre Desarrollo Sostenible (Río + 20), que se realizará en Brasil del 4 al 6 de junio de 2012.

Exigimos a los gobiernos respeto a nuestras voces y vidas durante la realización de nuestras movilizaciones, actividades y acciones, es la única forma de garantizar el carácter organizado y pacífico de las mismas.

Para ler a declaração completa:

http://jubileesouth.blogspot.com/2011/09/declaracion-del-foroalternativo-sobre.html

Para acessar as fotos:

http://fotograccion.org/wp/2011/10/internacional-foro-alternativo-de-cambioclimatico-panama/

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