Blog da Ong Fase pela justiça ambiental e climática

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A COP 17 chega ao fim!

Maureen Santos – FASE/GT Clima Rebrip

Na tradução da fala da presidenta da COP 17/MOP8 abaixo, ela aponta os cinco documentos acordados. Em resumo seria que saiu o segundo periodo do protocolo de Quioto, com corte entre 25% e 40% niveis de 1990, mas ficou em aberto se isso deveria ser cumprido até 2017 ou 2020; saiu a aprovação do Fundo Verde, mas ficou em aberto a questão da gestão (Catarina acompanhou mais esta parte de financiamento e poderá informar melhor dos resultados); em LCA o texto tambem foi aprovado e daí varias novas medidas, mas em relação aos temas que estavamos mais acompanhando aqui,  em REDD+ não saiu nada sobre financiamento, ficou totalmente em aberto o que sobra mais tempo para continuarmos a pressão contra um mecanismos de mercado e em salvaguardas também praticamente nada, seria um bom tema para incluirmos em nossas discussões e fortalecermos a resistência, e em agricultura, ainda bem que não foi aprovado o programa de trabalho que estava proposto, mas abriram uma negociação dentro do SBSTA (corpo subsidiário de implementacao tecnico-cientifica) para começar na proxima COP, ou seja, é outro tema importante para os movimentos sociais do campo pautarem, porque se criarem um programa de trabalho possivelmente num futuro próximo poderá surgir um mecanismo de agricultura com os problemas que já estamos vendo com o REDD+.

Sobre um acordo vinculante para 2020, aprovaram um guia para continuar a negociação, mas está em uma linguagem para agradar os gregos (EUA e cia) e os troianos (India, especialmente), com isso não aprova formalmente um novo protocolo ou acordo, mas abre uma negociação sobre um novo regime.(Anexo em espanhol)

CJN Durban press release ESPAÑOL final

(Tradução livre)

DECLARAÇÃO DE ENCERRAMENTO COP17/CMP7(Declaração versão inglês)MINISTRA Maite Nkoana-Mashabane

11 de dezembro de 2011, Durban (entregue 05h10am hora local)

Senhores Ministros e delegados, estamos agora na conclusão do COP17/CMP7.

Eu quero utilizar esta oportunidade para agradecer a todos vocês por sua dedicação, trabalho duro e pelo espírito do Ubuntu e do compromisso que prevaleceu durante esta Conferência.

Eu aplaudo vocês pelo que foram sido capazes de fazer aqui em Durban. Vocês estavam preparados para mostrar a vontade politica necessária política avançar com este processo. Em minha mente não há dúvida que “trabalhamos juntos para salvar o amanhã, hoje!”

Eu acredito que a Indaba lançou as bases para esta Conferência. Indaba, como se recorda, é uma palavra em zulu que se refere a uma reunião de pessoas com a finalidade de debater um assunto de grande importância para a comunidade, na tentativa de encontrar um pensamento comum ou uma história comum que todos os participantes fazem parte dela. Mudança climática é o nosso problema comum e que afeta a todos nós e a Plataforma de Durban é a história que vamos levar para casa conosco.
Nossa intenção com a Indaba foi restaurar a confiança no sistema multilateral e consagrar a transparência e inclusão no interior do processo conduzido pelas partes. As decisões que tomamos aqui são verdadeiramente históricas e incluem o seguinte:

i) A emenda do Protocolo de Quioto;
ii) As decisões do LCA;
iii) O Fundo Verde do clima;
iv) O futuro do regime de mudança climática.
Por isso, gostaria de felicitar todas as delegações por sua liderança e emergência , nos momentos em que mais foram exigidos. No início, nós lhe pedimos para mostrar liderança nas ações e pensar para além de suas posições nacionais. Vocês claramente demonstraram seu empenho e vontade de alcançar um resultado amplo e equilibrado do que todos nós podemos nos orgulhar.

Mais uma vez quero expressar os nossos parabéns para o Catar como Presidente da COP18/CMP8 para estar preparado para sediar a próxima Conferência. Aqui não podemos omitir o gesto gracioso de compromisso da Coreia do Sul oferecendo para sediar as reuniões ministeriais informais em preparação para COP18/CMP8.

De minha parte e da minha equipe, eu gostaria de transmitir uma palavra especial de agradecimento à Secretária Executiva, Ms. Christiana Figueres e equipe UNFCCC por seu muito apreciado apoio profissional. Estamos ansiosos para continuar trabalhando juntos na continuidade adicional de nossos deveres como COP17/CMP7 Presidente.

Por fim, mas não menos importante, agradeço à cidade de Durban, ao ICC e todos seus funcionários de apoio que trabalham duro, que passaram horas nesta maratona contribuindo para o sucesso deste evento.
Espero que seu tempo em Durban e na África do Sul continue sendo memorável e que vocês fiquem mais um tempo para relaxar e desfrutar o que a cidade e o  país tem a oferecer.

Desejo-lhes uma viagem segura de volta para seus respectivos países e estou ansiosa para vê-los novamente no próximo ano, quando começarmos com os nossos preparativos para COP18/CMP8.

Informe 5 – COP 17

Maureen Santos – FASE/GT Clima Rebrip

Tá rolando o maior climão: sem acordo e com muitas diferenças, COP 17 se estende até sábado talvez domingo.

 

Nos últimos dias, as negociações da COP caminhavam rumo a um fechamento com a aprovação do segundo período de Kyoto mais esvaziado e a possibilidade de um acordo vinculante para 2020, envolvendo todos os países, tendo até o final 2015 para fechar a proposta.

Ontem, o texto do CMP (Conferência das Partes do Protocolo de Kyoto) foi rechaçado em plenária pelos países do G77 e China, União Européia, LDC’s, ALBA, AOSIS (grupo das ilhas insulares) obtendo apoio essencialmente  dos Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália e Japão. O texto não previa a aprovação do 2º período de Kyoto e alterava alguns termos da proposta principal em jogo chamada Road Map (proposta da UE com pontos sobre 2 período e para construção de um novo regime climático).

Da plenária final do CMP, os ministros seguiram para continuar a reunião de Alto nível que foi bastante tensa subindo o tom das negociações. Neste momento, um grupo de 200 manifestantes de várias organizações e movimentos sociais, ONGs e redes internacionais fizeram um protesto do lado de dentro de conferência, gritando palavras de ordem e cantando músicas em zulu, exigindo um olhar especial para a África, justiça climática, Banco Mundial fora das negociações de clima, penalidades para os poluidores e um acordo que realmente possa enfrentar a crise climática, reconhecendo a dívida histórica ecológica e climática dos países do Norte e rechaçando um acordo sujo (dirty deal). Vários delegados entregaram suas credenciais e foram expulsos pacificamente pela segurança. Aliás, a polícia sul-africana durante toda a Cúpula deu exemplo e respeitou os espaços de protesto (como a marcha que seguiu até a conferência oficial dia 03) mas não podemos dizer o mesmo da segurança das Nações Unidas.

A manifestação veio em boa hora e deu fôlego e suporte para que os países “em desenvolvimento” rechaçassem a possibilidade de um acordo fraco e que traria mais prejuízos para suas populações. Teve de tudo na reunião de alto nível desde muitas trocas de acusações à choro de ministros. A falta de notícias fora das quatro paredes da sala deixou todos os delegados/as e observadores da sociedade civil em momento de grande expectativa e sem dormir.

A chair da Conferência preparou um documento chamado “INDABA: The Bigger Picture” no qual tentou fechar um acordo geral, este texto foi apresentado em reunião ministerial depois da meia noite. Antes da apresentação do texto, a reunião começou discutindo o que se tinha chegado de proposta sobre financiamento e o Fundo Verde foi tema polêmico entre o Paquistão, que falou pelo G77, e os Estados Unidos, essencialmente. A ministra da Guatemala pediu em um momento para a chair trancar a sala e só deixar os ministros saírem depois de firmado um acordo.

Sai da reunião por volta das 1:30 da manhã, ainda no debate sobre financiamento. Hoje a informação que circulava é que a reunião foi adiada para continuar hoje e não se chegou a nenhum acordo. Além disso, outros momentos de tensão ocorreram como, por exemplo, quando a delegada da Papua Nova Guiné mandou os EUA sair da sala e abandonar a negociação, já que não tinham vontade de negociar. A reunião acabou por volta das 4 da manhã.

Hoje a COP foi estendida e continuam as negociações a nível ministerial. Várias delegações acham que não será possível chegar a um acordo. A ministra francesa, por exemplo, twittou várias vezes esta manhã esta possibilidade. No entanto, não acaba enquanto não termina e alguns de nós continuaremos aqui e enviaremos mais notícias assim que tudo acabar.

Segue o link com os textos divulgados ontem de madrugada e hoje pela manhã (como não foram aprovados ainda, serão analisados no próximo informe final com o que for aprovado caso saia um acordo de Durban).

http://unfccc.int/2860.php

Informe 4 – COP 17

Catarina Silveira – CUT/GT Clima Rebrip
Maureen Santos – FASE/GT Clima Rebrip
Marcelo Montenegro – Actionaid Brasil/GT Clima Rebrip


A pergunta que não quer calar: frente a aprovação do novo código florestal o Brasil poderá cumprir suas metas voluntárias?

Esta é a pergunta que está sendo feita pela imprensa e diversos governos para o Brasil hoje na conferência. Com a aprovação do novo código florestal no Senado, que inclui flexibilidades como a anistia para os desmatadores, redução de reserva legal e APP, o Brasil começa a ser questionado se realmente ele poderá manter sua meta de redução de emissões entre 36 e 38% até 2020. Vale lembrar que este compromisso é legal, ou seja, foi ratificado na lei 12.187/2009, que instituiu a Política Nacional de Mudança do Clima.

Em conferência de imprensa realizada no dia de hoje pelo Comitê em Defesa das Florestas foram apontados algumas das preocupações que compartilhamos: o fato do Brasil ter responsabilidades diferenciadas na Convenção do Clima não significa não ter responsabilidade. As alterações do Código florestal reduzem a proteção das florestas, anistia desmatadores e aumenta o desmatamento.

Na segunda feira, o Brasil havia apresentado os dados promovidos pelo INPE em relação à redução de 11% do desmatamento no último ano e vinha utilizando isso como argumento sobre a boa conduta brasileira frente à redução de emissões e para tentar neutralizar o burburinho que poderia surgir caso a lei do novo Código fosse aprovada. Não adiantou muito, pois o dia de hoje começou com várias matérias na imprensa internacional* e com muitos questionamentos na Conferência oficial sobre a diferença entre o discurso e a prática brasileira na questão.

Em relação aos temas negociados…

As reuniões informais continuam fechando os textos negociadores. Hoje foi divulgado um novo texto para o LCA (cooperação de longo prazo), um pacotão de 138 páginas que eles chamam de “amálgama”. Enquanto isso, o texto do KP (Protocolo de Kyoto) ainda não foi compilado da mesma forma. Além disso, começaram também as reuniões de alto nível com Chefes de Estado e Ministros. Muitos temas serão transferidos para os Ministros decidirem, o que significa resoluções políticas e não técnicas, ou que levem em considerações as questões sociais.

Ontem, várias organizações indígenas realizaram uma ação dentro da Conferência com uma coletiva de imprensa para exigir uma moratória para o mecanismo de REDD+**, dizendo que tudo o que foi prometido não foi cumprido, que as salvaguardas são muito fracas, e que os povos indígenas não estão sendo escutados e já estão sendo impactados pelos projetos em curso.

Agricultura (sectorial approaches): Este tema deverá ser trabalhado nas negociações em nível ministerial, por se tratar de um tema sensível. Portanto, uma decisão que inicie um programa de trabalho em agricultura dentro das negociações pode ocorrer e vem sendo defendida pela União Africana, o que pode ser problemático, haja vista os exemplos dos mecanismos mercadológicos já estabelecidos na Convenção. Fora do debate oficial, FAO, Banco Mundial e diversos governos estão lançando a chamada agricultura inteligente para o clima (climate smart agriculture), um conjunto de propostas que inclui metodologias que possuem diagnósticos próximos aos que os movimentos e organizações discutem em relação à agricultura familiar e camponesa ou à agroecologia e clima, mas que sua implementação é muito preocupante, pois inclui o mercado de carbono como uma das principais formas de financiamento, além de não haver menções contrárias aos transgênicos ou aos agrotóxicos.

Fundo de Adaptação e Comitê de Adaptação: os delegados estão decidindo sobre a revisão do Fundo e o corpo político que irá gerenciar. Sobre o Comitê a discussão está caminhando em direção à composição do Comitê e as conexões com outros programas de trabalho ligados ao tema da adaptação.

Financiamento: os mesmos pontos seguem na mesa e sem resolução: acesso aos fundos (direto ou indireto); proporção entre fundos públicos e privados, e como garantir no caso do segundo tipo; e se será via empréstimos ou/e doação. Uma das perguntas que seguem sem resposta é a da capitalização do fundo, da onde virá o primeiro montante. O problema é que a maior parte dos ministros que participam do segmento do alto escalão, não vem com mandatos para resolver essa questão. Quanto a mecanismos inovadores, nada passa a forte barreira da Arábia Saudita. Fundo Verde: provavelmente será lançado em Durban mas resta sabem com que dinheiro funcionará.

REDD+ e financiamento (LCA): o texto continua entre colchetes. Várias delegações são a favor da combinação de financiamento que mais atendam as condições nacionais, neste caso ficaria em aberto. Outros defendem fundos públicos e privados com textos separando o REDD+ em três fases, nas duas primeiras fontes privadas e na terceira fontes privadas.

Sobre KP continua na mesma, estamos aguardando as próximas notícias.

Ontem, o BASIC realizou uma conferência de imprensa no qual apresentaram essencialmente a posição do grupo informal sobre finanças e querem que o mecanismo de financiamento de longo prazo seja institucionalizado o mais rápido possível, assim como o Fundo Verde deve ser estabelecido nesta COP. Disseram que estão trabalhando juntos com o G77 para encontrar um caminho para que Durban seja um sucesso e querem uma decisão sobre o 2º período de compromissos de Kyoto. Sobre a possibilidade de um acordo vinculante para 2020, India expressou suas preocupações com o gap existente entre os países do Anexo I e os países em desenvolvimento e que o mundo não pode esquecer da quantidade de pobres que existem nestes países e que, portanto, a equidade é um tema fundamental e que estes países tem o direito de crescer. Apresentou também preocupações em relação às atitudes unilaterais da União Européia como, por exemplo, o imposto de carbono que estão criando para taxar a navegação.

A coletiva demonstrou que o BASIC não tem uma posição consensuada sobre um acordo legalmente vinculante para todos os países em 2020, enquanto Brasil e China aceitariam a principio, obviamente desde que Estados Unidos façam o mesmo, India não neste momento.

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/12/brasil-manda-mensagem-contraditoria-sobre-meio-ambiente-para-o-mundo-diz-jornal.html

** Matéria sobre a chamada dos povos indígenas por uma moratória em REDD+ http://climate-connections.org/2011/12/06/indigenous-peoples-and-allies-call-for-a-moratorium-on-redd/

ERRATA INFORME 3 – página 02  - financiamento 

Estará em debate na segunda e última semana de negociações o standing committee do Fundo Verde, que é o comitê que irá definir o que será feito com o dinheiro do fundo. E a grande disputa é a quem este comitê vai reportar, se é à COP ou ao SBI. Outra discussão é se o texto será aprofundado incluindo pontos específicos de ações para o comitê ou se o comitê vai ter um grupo de ações mais gerais.

Informe 3 – COP 17


Catarina Silveira – CUT/GT Clima Rebrip
Maureen Santos – FASE/GT Clima Rebrip
Marcelo Montenegro – Actionaid Brasil/GT Clima Rebrip


Fim da primeira semana de negociações: a pizza começa a ser montada!

Terminou a primeira semana de negociações da COP 17, em Durban e o fim da semana foi marcado pelo Dia de Ação Global com uma marcha pacífica e alegre, em torno de 10 mil pessoas, organizada pelo Peoples Space C17. Ocorreram alguns tumultos no percurso devido a infiltração de um grupo de um partido local que levou centenas de voluntários da COP 17 para marchar. A marcha chegou até a Conferência oficial (ICC), mas não teve a tentativade entrar na Conferência. Vejam as fotos nos links no fim do informe.

Do lado de dentro, alguns caminhos começaram a ser traçados rumo a possível adoção do 2º período de compromissos do Protocolo de Kyoto, mas as propostas significariam mais a salvação do Protocolo do que tomar medidas efetivas de enfrentamento da crise climática.

Um destes caminhos, o mais possível, seria a adoção de uma ementa que garantiria a implementaçãodo segundo período a partir possivelmente de 2013. Esta proposta está sendo discutida entre G77 + China e União Européia. Canadá, Japão e Rússia continuam negando qualquer possibilidade de assinar um segundo período, mas sendo uma emenda não necessitaria que todos os países partes do Protocolo assinassem para que o mesmo tenha continuidade.

O que está em jogo nesta negociação é que, por um lado, a União Européia toparia assinar a ementa e ter um corte de emissões de 20 a 30% para este segundo período, mas por outro, as maiores economias (isso inclui obviamente os países emergentes, mas não há uma definição clara sobre como definir este grupo) aceitariam começar as negociações para um acordo legalmente vinculante para 2020.

O Brasil e a China aceitariam esta barganha, mas sobre a posição da Índia isso ainda não está claro. Os Estados Unidos, para variar, continuam se recusando a um compromisso legalmente vinculante e a princípio não aceitariam este acordo. Um acordo neste sentido sem a presença dos Estados Unidos, o principal emissor de gases de efeito estufa histórico e atual, debilita fortemente um regime global de clima.

Sobre o LCA – cooperação de longo prazo, que é o segundo trilho das negociações – foi apresentado no sábado uma versão consolidada do draft final. Esta versão está sendo criticada por parte dos países em desenvolvimento e LDCs (menor desenvolvimento) porque não representa um resultado balanceado e abrangente (comprehensiveandbalancedoutcome) das negociações até o momento.  Além disso, colocam como texto base os resultados de Cancun, sem levar em consideração o Plano de Ação de Bali.

Sobre temas específicos no LCA:

Agricultura: dentro abordagem setorial (sectorial approaches) começou a ser discutido e continua o debate sobre como incluir a agricultura nas negociações de clima, seja a partir da criação de um novo programa de trabalho sobre o tema, seja dentro de adaptação ou em mitigação e em que corpo negociador (LCA ou em SBSTA – implementação de assessoria técnico científica). No SBSTA entraria mais para discutir metodologia dentro de adaptação e mitigação em relação, por exemplo, a contabilização de emissões de GEE em agricultura. Em LCA o foco poderia mais em adaptação, como a proposta de alguns países africanos. Os países do G77 querem que, independente de onde entrar, a negociação se baseie nos princípios da Convenção, como responsabilidade comum porém diferenciadas e equidade (general framing).

Financiamento: Novas fontes de financiamento e mecanismos inovadores vão ficar para serem negociados na COP 18…ou seja, mais uma vez postergaram as negociações sobre novas taxações, por exemplo.

Estará em debate na segunda e última semana de negociações o standingcommittee do Fundo Verde, que é o comitê que irá definir o que será feito com o dinheiro do fundo. E a grande disputa é a quem este comitê vai reportar, se é à COP ou aoSBI. Outra discussão é se o texto será aprofundado incluindo pontos específicos de ações para o comitê ou se o comitê vai ter um grupo de ações mais gerais.

REDD+ e Salvaguardas: o texto saiu muito fraco, haja vista que as modalidades de salvaguardas propostas no Acordo de Cancun foram bastante rebaixadas (veja item recordar é viver mais abaixo). Então qualquer implementação do que estava previsto, será muito ruim. Vem se conformando por parte de várias organizações aqui presentes que é melhor não aprovar nenhum texto sobre salvaguardas do que o que está previsto. O Brasil está bloqueando as negociações por não aceitar especialmente a necessidade de futuras diretrizes a serem consideradas e aponta problemas em relação a parte de Comunicação Nacional.

REDD+ e financiamento: o texto continua entre colchetes, ou seja, não tem acordo. Inclui financiamento com fontes variadas, o que entra as baseadas no mercado.

Recordar é viver e ficar atento!

Veja abaixo o que foi aprovado do mecanismo de REDD+ no Acordo de Cancun, COP 16 (FCCC/AWGLCA/2009/17 pp. 34-37.)

Atividades
Redução de emissões por desmatamento e degradação;

Conservação de estoques de carbono florestal;

Aumento de estoques de carbono florestal;

Manejo florestal sustentável.

Salvaguardas
Consistência com políticas nacionais e Convenções e Acordos internacionais relevantes;

Estruturas de governança florestal transparentes;

Respeito aos direitos e conhecimentos das populações indígenas e comunidades locais;

Participação plena e efetiva dos atores relevantes, incluindo populações indígenas e comunidades locais;

Consistência com a conservação das florestas nativas e com a diversidade biológica;

Ações para garantir a permanência;

Ações para prevenir vazamentos.

Implementação
Estratégia ou plano de ação nacional;

Nível de referência de emissões florestais nacional;

Sistema de monitoramento nacional, podendo ser subnacional de forma interina, devendo, nesse caso, informar sobre ações para impedir vazamentos em nível nacional e os meios para constituir no futuro o monitoramento nacional;

Sistema de acompanhamento e informação sobre o respeito e observância das salvaguardas;

Identificação dos vetores do desmatamento e degradação, questões fundiárias, governança florestal, questões de gênero e salvaguardas;

Promoção da participação plena e efetiva dos atores relevantes, dentre os quais, populações indígenas e comunidades locais.

Abordagem de 3 Fases

1ª Fase:

Desenvolvimento de estratégia ou plano de ação nacional, construção de capacidades.

2ª Fase:

Implementação de políticas nacionais e da estratégia ou plano de ação nacional, podendo ser subnacional se apropriado, ainda com o apoio à construção de capacidades e transferência de tecnologia; atividades demonstrativas baseadas em resultados quantificáveis.

3ª Fase:

Ações quantificáveis que deverão ser plenamente mensuráveis, reportáveis e verificáveis (MRV).

Financiamento
Por iniciativas bilaterais ou multilaterais;

Fotos da marcha:

- fotos produzidas pela CSA e CSI

http://www.flickr.com/photos/55206205@N05/sets/72157628286647733/

http://www.flickr.com/photos/ituc/sets/72157628259826149/

- fotos produzidas pelo Alter-Echos, por Maxime e Sophie

https://picasaweb.google.com/103779396884963073948/ManifestationPourLaJusticeClimatiqueDurban3122011?authuser=0&authkey=Gv1sRgCL3VxfO_xqPJ-wE&feat=directlink#slideshow/5681926571079145794

COP 17 – Informe 2

01/11/2011


Catarina Silveira- CUT/GT Clima Rebrip
Iara Pietricovsky – INESC/GT Clima Rebrip
Marcelo Montenegro – Actionaid Brasil/GT Clima Rebrip
 
Um cavalo alado imprevisível ou um camelo estável

Na reunião de ontem sobre o Fundo Verde um dos representantes dos países em desenvolvimento usou uma metáfora para defender a proposta apresentada pelo Comitê de Transição para criação do Fundo Verde, que apesar da dificuldade de aceitação da proposta por um número importante de países, era melhor, segundo ele, do que proposta nenhuma. Por isso, seguiu dizendo que era melhor um estranho camelo estável e previsível do que um belo cavalo imprevisível. Eu ri, porque me pareceu um dilema filosófico insolúvel. Ao mesmo tempo, o debate,  mostrava uma narrativa cansativa, abusivamente monótona e previsível como a que esta sendo levada no espaço oficial da COP17, um enorme camelo. Muita  gente, muita reunião, estabilidade e previsibilidade, porém, sem nenhum resultado concreto. Fico me perguntando e desejando que algo de novo aconteça, um fato que possa subverter esta calmaria e passividade que nos leva, a cada momento, a um enterro coletivo em um mar de areia movediça. Ninguém se mova, senão nos enterramos todos!

Quais são os temas chaves da COP17? Entendo que existem dois grandes temas nos debates de Durban: o primeiro, diz respeito a tentativa de alguns países desenvolvidos de acabar com o segundo termo do Protocolo de Kyoto para instalação de uma novo regime internacional para o Clima, puxados em especial pela Europa, Japão e Austrália e no outro lado o G77 + China, países da Alba, países insulares etc, que insistem, corretamente em minha visão, na aprovação do segundo termo de Kyoto.  Existe uma polarização e um ambiente de incertezas instaladas. O Acordo fechado em 1997, que concluirá seu primeiro período em 2012 corre risco de morrer na praia. Um Protocolo que nasceu sem a adesão dos EUA, principal emissor de gazes de efeito estufa. Os argumentos são cínicos, por exemplo, a UE diz que o protocolo de Kyoto é um passo num processo de construção de um marco regulador vinculante mais amplo. Hora bolas, porque não aprovou o PK que já é um um marco importante e vinculante?

O segundo tema importante, é o Fundo Verde (Green Climate Fund). A aprovação do Fundo vem de Cancun deixando para Durban a aprovação de uma estrutura e formas concretas de operacionalização deste Fundo. Discussão que envolve comprometimento dos países mais ricos com o pagamento do preço do desenvolvimento predatório, realizado históricamente pelos mesmos,e ao mesmo tempo, a busca de uma transição para uma outra economia, um sistema produtivo sustentável e não predador. Para isso é fundamental financiamento, políticas públicas nos âmbitos internacional e nacional entre outras medidas importantes para construção desta transição de modelo. Passa por outro modelo de comércio mundial, de outros mecanismos produtivos e de circulação de bens, mudanças de padrão de produção e consumo, enfim, outra cultura política e econômica nas relações humanas e destes com a natureza, outro tipo de trabalho digno e decente para todos e todas, afirmação de direitos humanos e assim segue uma enorme lista de fundamentos pragmáticos e filosóficos. A questão é que a proposta que veio do Comitê  de Transição apresenta o mesmo problema das propostas anteriores:  estabelece critérios de resultados, lida com o Fundo como se fosse mais uma instituição privada, enfraquece o papel dos Estados e estimula a participação privada, é pouco transparente e pouco democrático.

Estamos terminando a primeira semana de discussões, com pouco avanço em quase tudo, mas o mais estranho, é que falta indignação, falta desconforto neste espaço. Parece que todos e todas já vieram apostando que seria um fracasso, ou que nada  de importante seria resolvido aqui. O que isso significará para o futuro imediato? Qual será a herança para a Rio +20? Caminhos tortuosos esses que estamos vivendo.

Outras informações 

Em junho desse ano, como uma das conquistas dentro do processo de melhorias na participação de observadores ao processo da UNFCCC , temos acesso a sessões informais que são fechadas para os diferentes grupos da sociedade civil): primeira e última. Por essa razão, hoje tivemos acesso a algumas sessões do AWG-LCA.

Primeira reunião sobre visão compartilhada: texto da facilitadora que não tinha ganho status de texto das Partes (parties paper) foi o primeiro tópico da reunião onde a facilitadora pediu comentários em como fazer isso. Estados Unidos afirmou que seria difícil que esse texto fosse trabalhado dessa maneira, mas que seria flexível. Enquanto México, Colômbia, afirmaram que já deveria ser trabalhado.
As partes continuam a debater se o texto da visão compartilhada deve ter um escopo mais amplo ou se deve ser limitado. Entre os temas que as Partes afirmaram ser controverso e necessita ser trabalhado são: objetivo global e o ano de pico de emissões. Isso porque muitos países desenvolvidos querem impor um ano de pico de emissões para os em desenvolvidos. A questão é: qual  é a contrapartida desse processo?

Finanças: o debate sobre o processo de financiamento a longo prazo deveria ser debatido aqui em Durban. No entanto, alguns países seguem bloqueando o tema. O facilitador do grupo preparou um texto para ser negociado mas ainda não há consenso entre as partes se irão ou não debate-lo.

COP : Já na plenária da COP, um dos pontos da agenda foi o relatório do comitê transitório do fundo verde climático. Um dos debates é que as regras definidas pelo comitê precisam ser aprovadas pela COP e precisa pela aprovação do mesmo, a questão é quando e se as Partes entraram em acordo sobre em que momento isso será aberto. Alguns grupos da sociedade civil pedem que essa negociação seja aberta, ou seja, passe para um grupo de contato para que as partes negociem esse texto.

Ao mesmo tempo, algumas partes afirmam que o texto não deve entrar, apesar de não ser perfeito, tem pelo menos alguns pontos de conversão e não podem ser jogados no lixo.  Entre os problemas do texto estão: falta de clareza sobre como será o acesso ao fundo, sobre a gestão do fundo e como se dará a participação da sociedade civil nisso.

REDD: no dia 01 de dezembro, as Partes concordaram que o facilitador, Antonio La V, disponibilizaria um texto para iniciarem o processo de negociação referente a financiamento e REDD.

COP 17

E foi dada a largada!

Começou nesta segunda, dia 28 de novembro, a 17ª Conferência das Partes à Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em Durban, na África do Sul.

Nos corredores já começam rumores sobre a saída do Canadá do Protocolo de Kyoto – o que gera novas preocupações com os resultados de Durban. Entretanto, dizem alguns observadores, que com a chegada dos ministros e Chefes de Estado na próxima semana, Japão e Canada poderao voltar novamente ao jogo para o segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto.

Ainda sobre o segundo período de compromisso, a União Europeia tem manifestado que poderia apoiar, caso houvesse concordancia sobre abrir um processo de negociação para um acordo que englobe tanto as questões do AWG-KP (trilho sobre SETI do periodo de Kyoto..) e AWG-LCA ( trilho de cooperacao a longo prazo) em um único acordo legalmente vinculante. Porém, isso significa esperar que paises em desenvolvimento – entre elas Brasil, África do Sul, Índia e China – entrem no acordo.

Essa posição da UE pode trazer ruídos dentro dos blocos de negociação, como o G77 e China e no BASIC. Isto porque desloca a “culpa” do não andamento da negociação para esses países, se nao aceitarem um acordo legalmente vinculante.

Além do Protocolo de Kyoto, outros temas prioritários desta COP sao: Finanças (com a negociação do Fundo Verde Climático e o tema do financiamento em longo prazo que deveria começar em 2013 e foi bloqueado por certos países); Operacionalização do centro
de tecnologia (onde estará localizado, quem trabalhará nele) agricultura (a possível inclusão dentro do debate climático e através de qual órgão/tema do UNFCCC e sua ligação com mercado de carbono), REDD+ e Fundo de Adaptação.

As negociações tanto do Protocolo de Kyoto como do LCA passaram para a fase dos grupos de contato e informais. Ou seja, amanhã iniciam os debates de conteúdo. Isso pelo menos é o que esperamos.

Hoje foi confirmado pelo secretariado da UNFCCC que a COP 18 será no Qatar. Vale a pena refletirmos o que isso significa para mobilizações da sociedade civil no próximo ano. A Confederação Sindical Internacional e seus sinditados afiliados criticou a decisão (http://www.ituc-csi.org/world-s-unions-criticise-decision.html?lang=en) de organizar uma conferência sobre clima em um país com alto nível de emissões de GEF e onde direitos humanos e laborais são desrespeitados.

COP-17 e o impasse de Kyoto

Entrevista realizada por Patrícia Fachin, do Instituto Humanitas da UNISINOS com Maureen Santos, da Fase e publicado no site: http://www.ihu.unisinos.br/

O tema central a ser discutido na 17ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-17), entre os dias 28 de novembro e 9 de dezembro, é a renovação do Protocolo de Kyoto, que se encerra no próximo ano. Se depender do resultado da última pré-negociação que aconteceu no Panamá recentemente, a COP-17 resultará em “acordos fracos”, lamenta Maureen Santos. “Só sairá algum acordo de Durban caso seja aprovado o segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto”, disse à IHU On-Line, em entrevista concedida por telefone.

Se o Protocolo de Kyoto não for renovado em Durban, na África do Sul, onde acontecerá a COP-17, “certamente haverá uma paralisação geral. A falta de confiança já está grande e essa situação poderá piorar ainda mais.”, enfatiza. A expectativa é de que a União Europeia, juntamente com outros poucos países, ratifiquem o acordo, apesar de a maioria dos governos insistir que a crise financeira internacional tem dificultado os avanços de investimento e discussão ambiental.

Ao analisar os 20 anos das Conferências Climáticas, Maureen destaca que as negociações “sempre foram utilizadas não para o enfrentamento das mudanças climáticas em si, mas para poder pensar de que forma, com as mudanças climáticas, cada país poderá ganhar mais recursos financeiros, mais transferência de dinheiro, como poderá criar novos mecanismos para não enfrentar problemas e trazer mais divisas para sua nação”.

IHU On-Line – Que avaliação faz da reunião que aconteceu no Panamá, a qual aproximou pesquisadores que estudam as mudanças climáticas? O que essa negociação sinaliza para a Conferência do Clima em Durban, na África do Sul?

Maureen Santos – Essa foi a última pré-negociação em preparação para a COP-17 na África do Sul. Estiveram presentes na reunião os Estados que participam da Convenção e do Protocolo de Kyoto. As ONGs e algumas empresas realizaram atividades, que chamam de side events.

As negociações foram feitas em dois trilhos: um é em relação ao segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto, o que eles chamam de AWGKP; e o outro trilho é em relação à implementação da Convenção do Clima a longo prazo, que é o AWGLCA. Essas negociações acontecem ao mesmo tempo, em paralelo, e, dentro de cada trilho, vários temas são negociados.

A ideia dessa reunião era construir os textos-base de negociação, o que os pesquisadores chamam de drafts (rascunhos) para Durban. O ideal era chegar a Durban com uma base geral de negociação já consensuada. Entretanto, os Estados não concluíram textos de rascunho, fizeram alguns apontamentos dos diretores das sessões, porque tiveram muitos bloqueios de negociação e pouquíssimos consensos. Eles não conseguiram atingir, por um lado, o objetivo de concluir os drafts, mas, por outro, conseguiram perceber onde estão os maiores problemas e quais temas são mais divergentes.

IHU On-Line – Quais foram os consensos?

Maureen Santos – Quando falo em consenso, me refiro a um texto-base, embora ele tenha várias opções para se seguir. Consenso não teve. Discutiu-se, por exemplo, a criação de um centro de redes de tecnologia. É consenso que este centro seja criado, mas como ele irá funcionar, como será a governança, como ele será implementado, quem irá financiá-lo, são questões em aberto. Portanto, o texto relacionado a tecnologias é um dos drafts elaborados na reunião, mas ele tem vários colchetes, vários temas que ainda não têm consenso.

O tema principal a ser discutido em Durban é a continuidade do Protocolo de Kyoto. Em minha opinião, só sairá algum acordo de Durban caso seja aprovado o segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto. Esse é o eixo central porque o primeiro período acaba no ano que vem.

IHU On-Line – Países como Japão, Rússia e Canadá já anunciaram que abandonarão o Protocolo de Kyoto em 2012, e até agora não se vislumbra outra acordo para substituí-lo. Como você vê essa incerteza em relação a um novo acordo climático e a continuidade de Kyoto?

Maureen Santos – Em 2012, a Convenção de Clima completa 20 anos; ela foi criada durante a Eco-92. É dramático perceber que durante 20 anos de negociações sobre as mudanças climáticas, os países conseguiram assinar um Protocolo que é bastante reducionista, se pensarmos os objetivos da Convenção, que são reduzir a emissão de gases de efeito estufa e evitar o problema do aquecimento global e das mudanças climáticas. O Protocolo de Kyoto, apesar de ser extremamente reducionista, não está sendo valorizado. Prova disso é que os Estados não conseguem chegar a um consenso para que ele continue em vigor.

Esses países que você citou não querem aceitar o segundo período sob o argumento de que os emergentes, que não fazem parte do compromisso vinculante do Protocolo de Kyoto, devem assinar um acordo global. É exatamente por isso que nas pré-negociações existem dois trilhos da negociação. Um deles é por conta dos países do anexo 1, que são os países desenvolvidos que assinaram Kyoto, com exceção dos Estados Unidos, e que se comprometeram em manter um compromisso para o segundo período em relação a um princípio básico da Convenção, o qual chamamos de responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Ou seja, eles reconhecem que o problema atual das mudanças climáticas é de responsabilidade desses países do norte e, paralelo a isso, acertam um novo acordo, que envolveria tanto os países em desenvolvimento como os Estados Unidos num esforço de redução de emissões.

Se não sair o segundo período de compromisso de Kyoto, também não sairá um acordo geral envolvendo outros países. E, além disso, os Estados Unidos já deixaram claro que nesse momento eles não têm condições de assinar nenhum acordo vinculante de redução de metas. Essa posição é um impasse grande para continuar a negociação.

IHU On-Line – Caso Kyoto não seja renovado, haverá algum impacto para as Conferências do Clima?

Maureen Santos – Seguramente. Acho que, se não sair o segundo período de compromisso, certamente haverá uma paralisação geral. A falta de confiança já está grande e essa situação poderá piorar ainda mais. Na reunião do Panamá, informalmente se falou na possibilidade de que o segundo período do compromisso de Kyoto fosse renovado apenas por alguns integrantes como a União Europeia e os países em desenvolvimento. Kyoto não precisa de um consenso para ter o segundo período de compromissos. Ele pode funcionar como uma ementa: os países podem assinar ou não. Nesse caso, ficariam de fora os países que não querem assinar.

Se isso acontecer, a nova discussão é: os países que não assinaram o Protocolo de Kyoto continuarão tendo o direito de continuar utilizando, por exemplo, o mecanismo de desenvolvimento limpo, que é o mercado de carbono oficial? Grande parte da União Europeia tem interesse em manter Kyoto, exatamente para continuar com o mecanismo de flexibilidade, que é esse mercado de carbono oficial.

IHU On-Line – Além da União Europeia, que outros países têm o interesse de manter o Protocolo?

Maureen Santos – Dos países desenvolvidos, o ator mais importante é a União Europeia. Outro grupo formado pela Suíça e Mônaco também apoia o segundo período de compromissos, mas, nesse caso, eles não fazem muita diferença na negociação. A União Europeia tem mais força. Se a União Europeia assinar o segundo período de compromissos, ela pode criar um constrangimento para os outros países.

IHU On-Line – Qual a postura do Brasil em relação à renovação do Protocolo de Kyoto?

Maureen Santos –O Brasil está colocando força para que saia o segundo período de compromissos. O país já deixou claro que só sairá um acordo caso o segundo período do Protocolo de Kyoto seja renovado. Caso Kyoto seja renovado, penso que, se houver um acordo em Durban, ele será fraco, muito reducionista e não conseguirá enfrentar os problemas climáticos.

IHU On-Line – Além da briga entre países desenvolvidos e emergentes, o que tem dificultado, segundo sua avaliação, a consolidação de uma agenda climática? Como resolver esse impasse em relação a um acordo?

Maureen Santos – Não tenho resposta para resolver esse impasse. Analisando esses últimos vinte anos, percebemos que a negociação de mudança climática é diferente da negociação de biodiversidade da Convenção de Cartagena, por exemplo, porque os resultados em geral não são tão palpáveis, com exceção do Protocolo de Kyoto, que foi o único marco regulatório vinculante. Não existe nenhum outro instrumento no processo. As negociações são muito abstratas, técnicas demais, e os ganhos são pequenos.

No que se refere aos financiamentos, até agora não se tem um consenso de onde virá o dinheiro. Percebemos que as negociações sempre foram utilizadas não para o enfrentamento das mudanças climáticas em si, mas para poder pensar de que forma, com as mudanças climáticas, cada país poderá ganhar mais recursos financeiros, mais transferência de dinheiro, como poderá criar novos mecanismos para não enfrentar problemas e trazer mais divisas para sua nação.

Um exemplo claro disso é a criação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL, que regulamentou o mercado de carbono. Se analisarmos os dados dos MDLs, especialmente a partir de 2005, que foi quando o Protocolo de Kyoto começou a entrar em vigor, veremos que não houve uma efetiva redução de emissões de gases de efeito estufa. O carbono é visto como mais uma mercadoria no mercado. Portanto, o MDL não enfrenta o objetivo central da Conferência, que é a redução das emissões. Um exemplo visível acontece na Inglaterra: em vez de o país reduzir as emissões da termelétrica para atender ao Protocolo de Kyoto, ele compra um crédito de uma siderúrgica brasileira que não está emitindo tanto gás. É como se fosse uma licença de poluição, uma soma zero.

IHU On-Line – Essa é a mesma crítica que se faz ao REED – Reduções de Emissão do Desmatamento e da Degradação Florestal, que estimula o mercado financeiro de carbono?

Maureen Santos – O REED ainda não é atrelado ao mercado de carbono, mas outras modalidades estão sendo discutidas. O mecanismo de REED foi criado no acordo de Cancún, ano passado, mas a forma como esse mercado será financiado ainda está em aberto. Não sabemos se o financiamento vai ocorrer via política pública, fundo público, via leilão, via mercado de carbono, ou outra forma de financiamento via mercado. Essas questões serão discutidas em Durban.

IHU On-Line – A crise internacional pode prejudicar as negociações climáticas e diminuir os investimentos para o Fundo Verde, criado pela ONU em Cancún?

Maureen Santos – Os governos argumentam que um dos grandes problemas para a discussão ambiental não avançar é exatamente a crise. Segundo eles, não existe um cenário favorável, já que os países estão passando por uma situação complicada.

Eles alegam que, por causa da crise financeira, não têm condição de ajudar outros países a enfrentarem as mudanças climáticas. O argumento da crise é reforçado o tempo todo. E serve também para a Rio+20. O governo brasileiro está dizendo que, por conta da crise internacional, a reunião pode ser extremamente rebaixada porque não há nenhum interesse em avaliar os últimos vinte anos.

IHU On-Line – Qual é o papel do Brics no que se refere às alternativas aos efeitos climáticos?

Maureen Santos – O grupo que forma o Brics ainda está se inserindo nesse debade. Existe, dentro da negociação, o Basic, que é um grupo informal formado pelos países do Brics, menos a Rússia: Índia, China, Brasil e África do Sul. Os países do Brics não trazem muita novidade do ponto de vista criativo.

Existe uma preocupação muito grande em relação ao tema de agricultura, já que todos esses países têm uma base agrícola na economia. Agora que a agricultura está entrando como um dos temas da negociação, eles têm uma preocupação grande em relação a isso.

IHU On-Line – Alguns pesquisadores defendem Parcerias Público-Privadas – PPPs para amenizar os efeitos das mudanças climáticas. Como vê essa possibilidade?

Maureen Santos – Tenho muitas críticas em relação às PPPs. Já foram feitas experiências em relação à água, e em geral foram muito ruins. O que se vê é que o Estado investe mais recursos financeiros do que as empresas, e, com isso, a questão da transparência fica comprometida.

Percebemos, analisando algumas PPPS, que os resultados não são muito efetivos do ponto de vista socioambiental. Das iniciativas que existem atualmente, a grande maioria é mais para melhorar uma imagem da empresa do que para efetivamente contribuir na questão ambiental. Não é à toa que cada setor de sustentabilidade numa empresa fica dentro do setor de marketing.

IHU On-Line – Quais as possibilidades de avanços na Conferência do Clima em Durban em relação a Cancun e Copenhague?

Maureen Santos – Se Kyoto for renovado, o acordo será fraco, muito fraco, em função de não se chegar a um acordo vinculante com os Estados Unidos e com os países emergentes. Nesse momento, os países emergentes não têm condições de assinar um acordo vinculante.

IHU On-Line – Quais as expectativas em relação a Rio+20?

Maureen Santos – O governo está se mobilizando bastante. Sempre defendemos que a agenda da Conferência deveria ser de avaliação dos últimos vinte anos, mas essa discussão já foi tirada da agenda. O foco é a discussão de Economia Verde e a discussão da nova arquitetura ambiental internacional. A ideia é fazer um paralelo com a discussão de mudança climática e com as outras conferências, como a de biodiversidade, que aconteceu no ano passado em Nagoia.

IHU On-Line – Como você essa discussão em torno da economia verde? Essa economia pode contribuir com alternativas às mudanças climáticas e ao atual modelo econômico?

Maureen Santos – Deveria contribuir. Mas para esse momento, não se percebe nenhuma alternativa. Para a discussão de uma nova arquitetura, existem algumas propostas em curso, mas não sei se haverá chance de sair alguma coisa concreta.

IHU On-Line – Qual será a atuação dos movimentos sociais ambientalistas em Durban?

Maureen Santos – Para Durban estão sendo pensadas muitas atividades de pressão, manifestações na rua, aproveitando esse momento de mobilização mundial, de ocupação dos espaços públicos. Já há uma convocatória mundial para pensarmos um dia de ação com atividades em vários lugares a fim de chamarmos atenção para o problema ambiental, e mostrar que as populações são vulneráveis e que os Estados não estão fazendo nada para poder enfrentar essa questão.

IHU On-Line – Em Copenhague se falou em fracasso dos movimentos ambientalistas, especialmente por causa do lobby de algumas ONGs. A expectativa é de mudança na COP-17?

Maureen Santos – A crítica depende do ponto de vista. De fato, as grandes ONGs ambientalistas só ficam do lado de dentro da Conferência, fazendo lobby e não participam das manifestações de rua.

A grande mobilização aconteceu por causa dos movimentos sociais. Em Copenhague, mais de 50 mil pessoas protestaram na rua durante dois dias. Teve muita repressão policial, alguns delegados de países tentaram sair para encontrar os movimentos sociais e foram impedidos. Essas manifestações a imprensa não mostra. Em Cancún a situação foi mais complicada. Teve um processo grande de fragmentação, vários fóruns do lado de fora ocorreram ao mesmo tempo e a marcha não foi uma marcha única.

NEGOCIAÇÕES CLIMA PRÉ-COP 17 – CIDADE DO PANAMÁ

Informe 4: Sem avanços no segundo período de compromissos de Kyoto, terminam as ultimas negociações pré-Durban

Por Maureen Santos – FASE/GT Clima REBRIP
Marcelo Montenegro – Actionaid Brasil/GT Clima REBRIP

Apos uma semana de negociações, terminou, na Cidade do Panamá, a última rodada preparatória para a Conferência das Partes 17, que acontecerá em Durban, África do Sul, a partir de 28 de novembro.

Mais uma vez as tecnicalidades mascararam em parte a falta de vontade politica por parte dos países do Anexo I (desenvolvidos) em se comprometerem a um segundo período de compromissos para o Protocolo de Kyoto. A União Europeia flertou com o G77 e China para buscar alguma saída bilateral para o caso, mas nada formalizado. E Austrália, Nova Zelândia e Japão continuam como os grandes bloqueadores do jogo, não aceitando um segundo período de compromissos e, ao invés, querendo um acordo vinculante que envolva todas as partes.

A plenária final do trilho KP (Protocolo de Kyoto) realizada nesta tarde teve, em quase todos os discursos dos blocos, com exceção do grupo Umbrela, uma demanda por um segundo período de compromissos e a integridade ambiental do Protocolo de Kyoto, como poderão checar no documento em anexo com a descrição das principais partes das falas. Para além, a fala contundente da Bolívia representando os países da ALBA e chamando os países do Anexo I a terem vergonha na cara, foi recebida com aplausos da plenária ao final.

Em resumo, foi negociado esta semana, sobre o Protocolo, uma metodologia para um segundo período de compromissos, transformando as promessas dos países do Anexo I (pledges) em Qelros (emissões quantificáveis), com sistemas de equivalência anuais. Isso quer dizer que a essência do Protocolo de Kyoto acaba sendo alterada. Isto porque as metas de redução de emissões desapareceram nos debates, sendo substituída por promessas altamente ineficientes e sem nível de ambição nem baseadas em sistema de cortes de cima pra baixo. Além disso, o avanço em questões técnicas não é acompanhando por avanços que beneficiem todos os países. A manutenção do Protocolo de Kyoto somente para assegurar o arcabouço jurídico do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL, carbono) não deveria ser defendido, nem sequer negociado, mas sim denunciado.

Os países do G77 e China, que inclui o Brasil, defendem que um acordo em LCA (cooperação de longo prazo) somente deve caminhar se for acompanhado de um acordo no Protocolo de Kyoto. Isso significa que em Durban, se um segundo período de compromissos não for aprovado, poderá ocorrer a paralização do regime global de clima. E, para além, poderá haver um intervalo de alguns anos ate que os países recobrem a confiança politica mútua e passam a ter interesse real em voltar a negociar.

Em LCA, por serem vários os temas sobre a mesa, houve avanços na consolidação de um texto base para as negociações em Durban, através de draft e tetos de negociação. Porém, ainda há pontos que não resultaram em nenhum texto ou somente haverá notas a serem produzidas pelos facilitadores. No quadro abaixo, pode-se visualizar o resumo do que saiu nas principais negociações:

Financiamento de longo prazo: Saiu um draft consolidado para Durban que servira de base de discussão. Não responde aos principais problemas: como mecanismos inovadores; da onde vira o dinheiro para o financiamento de longo prazo, entre outros – Entretanto amarra algumas propostas em curso. O draft por pouco não saiu, pois os Estados Unidos e países do Umbrela tentaram bloquear as negociações nos últimos dias.

Adaptação: Girou em torno do Comitê de Adaptação, mas as grandes questões continuam como em relação a composição do Comitê, relação com Fundo Verde e com a COP, participação dos afetados e da sociedade civil em geral, entre outras.

REDD+: O facilitador ira produzir uma nota com as posições, não saiu draft. A negociação continua sobre medidas de financiamento para implementação do REDD+. E ainda há propostas em aberto, como a entrada do mercado (com mercado de carbono ou não e compensação/offsetting), e de uma criação de uma janela para REDD+ no Fundo Verde de Clima.,/p>

Tecnologia: Discussões foram feitas em cima da criação e implementação do Centro e Rede de Tecnologia Climática. Há um texto de negociação na mesa e as principais divergências giram em torno da coordenação do processo de seleção, da governança e da estrutura deste Centro.

Setoriais (Setorials approaches, ai esta agricultura): Também sem texto para Durban, mas uma nota do facilitador identificando os principais elementos tratados. Neste ponto o Brasil acredita que ainda ha espaço para negociação em Durban em relação ao escopo geral dos setoriais, já que não há forte oposição a um escopo geral, com exceção dos EUA.

Legal: Este grupo trabalha em como implementar os resultados aprovados no LCA e transforma-los em acordos vinculantes. Foi um dos grupos em que mais houve avanço e as conversas continuarão em uma reunião na Espanha, antes de Durban, para consolidar um draft.

NEGOCIAÇÕES CLIMA PRÉ-COP 17 – CIDADE DO PANAMÁ

Informe 3: Países desenvolvidos continuam bloqueando as negociações sobre financiamento

Por Maureen Santos – FASE/GT Clima REBRIP

Marcelo Montenegro – Actionaid Brasil/GT Clima REBRIP

As negociações no grupo de LCA (cooperação de largo prazo) de ontem ficaram em diversas áreas paralisadas por conta dos bloqueios efetuados pelos Estados Unidos, especialmente, e alguns países do grupo Umbrella. Nas negociações da agenda de finanças, estes países começaram a criar bloqueios ao deixarem claro que não querem avançar em nada na negociação. Isso irritou bastante os países do G77 e China, que demandam financiamento para mitigação (redução de emissões) e adaptação às mudanças climáticas, os quais apontaram a necessidade de se avançar em um texto sobre financiamento de longo prazo, por exemplo, e efetivar a implementação do mecanismo financeiro de fast start, que termina no próximo ano, e que quem já recebeu algo diz que os recursos não são adicionais e sim parte da ajuda ao desenvolvimento. O mesmo bloqueio aconteceu na chamada agenda das consequências econômicas e sociais das medidas de resposta (responsive measures), tema no qual estes países não querem dar nenhum passo a frente.

Em agricultura, também não teve progressos, o que avaliamos que é muito bom porque falta uma avaliação mais clara dos impactos sobre os agricultores e agricultoras familiares no Brasil e na segurança e soberania alimentar. A agricultura, por ser um setor estratégico, deve ser pensado conjuntamente entre governo e sociedade civil para avaliar qual a melhor forma de abordar o tema nas negociações de mudanças climáticas, respeitando os princípios da Convenção. Enfim, a negociação está paralisada graças aos países em desenvolvimento que compreenderam as intenções dos países desenvolvidos de empurrar mecanismos de compensação na agricultura através da UNFCCC. Há muito em jogo, como pode ser visto pela ação dos países mais ricos, em conivência com Banco Mundial, para empurrar os mercados de carbono do solo na África sob o manto da “Agricultura inteligente para o clima”.

Os países desenvolvidos parecem tão desesperados para empurrar este ponto na agenda que eles convidaram alguns membros de organizações da sociedade civil para uma conversa, com objetivo de convencê-los a ajudar no diálogo com os países em desenvolvimento. Assim, o grupo liderado por Estados Unidos, juntamente com Dinamarca, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, entre outros, foi questionado sobre o porquê deles estarem empurrando a criação de um programa de trabalho para a agricultura. Suas verdadeiras intenções não foram reveladas e, na verdade, eles nem sequer tiveram uma razão convincente para justificar seu posicionamento.

No entanto, embora esta questão esteja se movendo muito lentamente no Panamá, haverá um impulso enorme em Durban para o estabelecimento de um programa de trabalho na agricultura. Alguns países em desenvolvimento já manifestaram que não possuem nenhuma oposição ao tema, desde que se tenha previamente um consenso sobre princípios dentro da matriz geral, tais como responsabilidades comuns porém diferenciadas, segurança alimentar, comércio sem condicionalidades, etc.

Outro tema é a implementação do Comitê de Adaptação. Foi distribuída nova versão do paper produzido pelo facilitador no qual muitas questões ainda estão em aberto, como por exemplo, como este comitê irá se reportar à Conferência das Partes? Qual o papel do Comitê Transicional do Fundo Verde nisso? Devido a necessidade de criar conexões entre o mecanismo de financiamento e o Comitê de adaptação. Vários países apoiaram a proposta da Argentina, que é a atual presidente do grupo G77 e China, que afirma que as negociações de adaptação visam um programa de longo prazo e apontou vários pontos em relação a discussão de modalidades e atividades do comitê. Um tema principal sobre o qual não há consenso diz respeito à composição do Comitê de Adaptação. Para os países em desenvolvimento não tem cabimento em um tema tão ligado a questões de vulnerabilidade, existir paridade de representação entre desenvolvidos e em desenvolvimento. Desta forma apoiam que a maioria seja dos países em desenvolvimento. Estados Unidos é contra e aposta na paridade de representação. União Européia apesar de dizer que a adaptação é um desafio para todos os países, reconhecem a maior vulnerabilidade de alguns, então neste caso é um pouco mais flexível. Por fim, em relação à participação da sociedade civil na composição do comitê, existe apoio de vários países e a única fala mais contundente contrária foi dos EUA, que também questionaram este ponto.

No trilho das negociações sobre o segundo período do Protocolo de Kyoto, continuaram ocorrendo as consultas informais (spin-off) e sem nenhuma novidade.

Side events:

Foi realizado um evento sobre Financiamento de REDD+ promovido pela FERN, Amigos da Terra Internacional e Global Witness. Iremos enviar junto com o informe de amanhã, um relato das propostas apresentadas.

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