Blog da Ong Fase pela justiça ambiental e climática

Archive for março, 2012

Quem ganha e quem perde com o REDD e o Pagamento por Serviços Ambientais?

Vejam encarte produzido pelo Grupo Carta de Belém a partir da sistematização do seminário realizado em 2011 sobre REDD+ e Pagamentos por Serviços Ambientais versus Bens Comuns.

“Passados quase 20 anos da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92 e da realização de 17 Conferências das Partes (COP) sobre mudanças climáticas, 9 COPs sobre desertificação e 10 sobre biodiversidade, os desequilíbrios climáticos se aceleram pelo mundo, a biodiversidade vegetal e animal está em regressão, os desertos crescem, as florestas e as zonas úmidas encolhem.

Durante este período, várias promessas e medidas foram adotadas por estas Conferências, mas ao contrário do que anunciam, os resultados que estas têm produzido vem nos levando a um processo de mercantilização dos bens comuns e da natureza, que acelera a destruição e a usurpação das florestas, da biodiversidade e dos territórios dos povos e comunidades.

Há uma grande centralidade dada às propostas corporativas e de mercado nas Convenções ambientais. Por exemplo, a criação de instrumentos financeiros como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que oficializa o mercado de carbono como política de combate às mudanças climáticas, e o REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) na Convenção de Clima; e a ferramenta econômica de valoração dos bens e serviços ambientais, o TEEB (Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade) na Convenção da Diversidade Biológica. Propostas que pretendem transferir para o mercado o cumprimento dos objetivos de redução de emissões quanto ao uso sustentável e à conservação da biodiversidade, enfraquecendo tais Convenções como fóruns multilaterais de negociação e atrasando a implementação dos objetivos das mesmas através de políticas sob responsabilidade dos Estados/Nações.

No caso específico do REDD, ao atrair a atenção do mundo sobre a importância das florestas para as mudanças climáticas, ainda que o desmatamento contribua com algo entre 11 e 20% da emissão global de gases de efeito estufa, desvia-se o foco do modelo industrial de produção e consumo desenfreado do Norte e das elites do Sul, principal responsável pelas catástrofes climáticas e a degradação dos ecossistemas, inclusive causa subjacente dos vetores que levam à destruição das florestas.

Neste sentido, o Grupo Carta de Belém formado por redes, organizações e movimentos sociais do Brasil que conformam um campo crítico às propostas de mercantilização dos bens comuns e da financeirização da natureza, pretende com esta publicação: apontar suas preocupações em relação a estes processos em curso; e dar visibilidade as iniciativas populares que devem ser fortalecidas pelo Estado brasileiro, através de políticas públicas estruturantes e eficazes, que fortaleçam as escolhas e os modos de produção sustentáveis da agricultura familiar e camponesa, extrativistas, povos indígenas e comunidades tradicionais associados ao uso sustentável da biodiversidade e da agrobiodiversidade.

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Rumo a Rio+20

Rumo a Rio+20: Por que a economia verde proposta pelo PNUMA levaria a conferência e o planeta ao colapso?

Fátima Mello (*)
FASE
Setembro de 2011

O Rio de Janeiro sediará em 2012, vinte anos depois da Eco 92, a conferência Rio+20 que terá dois temas em sua pauta: economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. Ao longo das últimas duas décadas o mundo tem vivido um processo acelerado de deterioração: as crises sociais e ambientais se aprofundaram, o sistema de governança internacional entrou em crise de legitimidade, o sistema econômico-financeiro está muito perto de um colapso fulminante. A Rio+20 pode ser uma oportunidade estratégica de redefinição dos rumos da política internacional e, portanto, da economia; de tradução em novas diretrizes da nova correlação de forças que vem se desenhando no mundo; e de estabelecer uma nova agenda que tire o planeta da rota de crise e colapso. Infelizmente, porém, o relatório do PNUMA, que é um documento-chave da ONU na construção da agenda da conferência, propõe mais do mesmo ou, mais precisamente, propõe que o manto da economia verde seja usado para encobrir a falência do modelo de economia em curso e assim dar sobrevida a um sistema de exploração e injustiças.

O relatório do PNUMA “Rumo a uma Economia Verde – Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza – Síntese para Tomadores de Decisão”[1] inicia propondo uma definição de economia verde que nos enche os olhos: “O PNUMA define economia verde como uma que resulta em melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz significativamente riscos ambientais e escassez ecológica. Em outras palavras, uma economia verde pode ser considerada como tendo baixa emissão de carbono, é eficiente em seu uso de recursos e socialmente inclusiva. Em uma economia verde, o crescimento de renda e de emprego deve ser impulsionado por investimentos públicos e privados que reduzem as emissões de carbono e poluição e aumentam a eficiência energética e o uso de recursos, e previnem perdas de biodiversidade e serviços ecossistêmicos. Esses investimentos precisam ser gerados e apoiados por gastos públicos específicos, reformas políticas e mudanças na regulamentação. O caminho do desenvolvimento deve manter, aprimorar e, quando possível, reconstruir capital natural como um bem econômico crítico e como uma fonte de benefícios públicos, principalmente para a população carente cujo sustento e segurança dependem da natureza. (…) Talvez o mito mais difundido seja o de que há uma troca inevitável entre sustentabilidade ambiental e progresso econômico. Agora há evidência substancial de que o “esverdeamento” de economias não inibe a criação de riqueza ou oportunidades de emprego, e que há muitos setores verdes que apresentam oportunidades significativas de investimento e crescimento relacionado de riqueza e empregos. Rumo a uma Economia Verde – o principal produto da Iniciativa Economia Verde – demonstra que o esverdeamento das economias não é um empecilho ao crescimento, mas sim um novo mecanismo de crescimento; ou seja, uma rede geradora de trabalho digno, que também consiste em uma estratégia vital para a eliminação da pobreza persistente.”

Não há dúvida que o relatório tem o mérito de enfrentar o debate sobre as condições econômicas e financeiras para a transição à sustentabilidade, lidando com o necessário debate sobre a relação entre economia, finanças e sustentabilidade, terrenos que dificilmente se encontram – e mais do que isso, são frequentemente antagônicos – tanto nas negociações internacionais quanto na maioria das políticas domésticas.

No entanto, a premissa central que sustenta todo o documento deve ser objeto de questionamento: o PNUMA defende a necessidade de manutenção e até aceleração do crescimento econômico global, desde que 2% do PIB global sejam destinados à transição da economia marrom aos setores verdes, aplicando-se cerca de 1,3 trilhões de dólares por ano em dez setores estratégicos:
“Uma economia verde, com o passar do tempo, cresce mais rapidamente do que a economia marrom, enquanto mantém e restabelece o capital natural (…). Um cenário de investimento verde de 2% do PIB mundial proporciona um crescimento a longo prazo, entre 2011-2050, pelo menos tão elevado quanto as previsões mais otimistas do modelo das práticas atuais, ao mesmo tempo em que evita riscos consideráveis de desvantagens, tais como os efeitos da mudança climática, maior escassez de água, e a perda de serviços ecossistêmicos.”

Deve-se entender que 98% do PIB continuariam presos ao desenvolvimento atual, à economia marrom, financiando a economia verde? Quanto maior o crescimento dessa economia marrom, mais volumosos seriam os recursos para uma economia verde? Não há dúvida que esse plano levaria ao desastre. Está muito aquém das necessárias transformações da economia como um todo. Não são raros os intensos debates e críticas em curso sobre a ênfase a ser dada ao crescimento, ainda que esverdeado. Além disso, embora o relatório ponha ênfase na criação de empregos e combate a pobreza, não coloca a necessária luz sobre os aspectos distributivos, de enfrentamento das desigualdades, de combate à riqueza e do foco nos direitos e na justiça sócio-ambiental. O foco do relatório é no crescimento econômico verde, e não na distribuição e apropriação social com equidade e justiça.

Os problemas do relatório começam a piorar ainda mais quando são apresentadas as condições possibilitadoras para a transição a uma economia verde. Entre estas condições estão: “o estabelecimento de normas rígidas de regulamentação; a priorização de investimentos e gastos públicos em áreas que estimulem o esverdeamento de setores econômicos; a limitação de gastos em áreas que esgotem o capital natural; o uso de impostos e instrumentos que se baseiam no mercado para mudar a preferência do consumidor e promover o investimento verde e a inovação; o investimento em capacitação e treinamento; e o fortalecimento da governança internacional”.

O texto defende marcos regulatórios claros e transparentes visando criar um ambiente mais seguro e favorável ao mercado e aos investidores, de modo que os negócios possam funcionar com normas claras. Defende também que “Os contratos públicos sustentáveis podem contribuir para criar e fortalecer os mercados de bens e serviços sustentáveis.(…) Através do uso de práticas sustentáveis de compras públicas, os governos podem criar uma demanda a longo prazo por bens e serviços verdes. Esta situação envia sinais que permitem às empresas fazer investimentos de longo prazo em inovação, e aos produtores realizar economias de escala, reduzindo os custos. Por outro lado, isto pode levar à maior comercialização de produtos e serviços verdes, promovendo o consumo sustentável”. Em princípio isso poderia ser um bom caminho; o problema é que o relatório não entra no debate sobre o que são bens e serviços sustentáveis e verdes, como são seus sistemas de produção e de distribuição, quem são os atores econômicos que os produzem, quais são as condições sociais e de trabalho.

A adoção de instrumentos de mercado para promover a inovação e investimentos verdes é fortemente defendida, argumentando a favor de um sistema de pagamento de serviços ambientais e de REDD e REDD+ (inclusive com a defesa dos mecanismos de compensação de emissões de GEE entre países altamente emissores e países detentores de florestas) que, no entanto, continuam sendo objeto de intenso debate e disputa pela definição de seu conceito e escopo: “Os instrumentos baseados no mercado, tais como as licenças negociáveis, são ferramentas poderosas para a gestão da “invisibilidade econômica da natureza” e estão sendo cada vez mais usados para enfrentar uma série de questões ambientais. (…) Os mercados que instituem “pagamentos” para a prestação de serviços ecossistêmicos podem influenciar o uso da terra permitindo que os proprietários obtenham mais do valor destes serviços ambientais. Foi estimado que centenas de milhões de dólares são atualmente investidos no pagamento de planos de serviços ecossistêmicos (PSE) – tais como o sequestro de carbono, proteção à bacias hidrográficas, benefícios de biodiversidade e belezas naturais – que vão desde o nível local até os planos nacionais e até mesmo globais. Como a contribuição do desmatamento e a degradação da floresta para o efeito estufa tornou-se melhor compreendido, o potencial de criação de um plano internacional de PSE relacionado às florestas e carbono se tornaram prioridade nas negociações climáticas internacionais. O plano, denominado REDD e mais recentemente como REDD+, que agrega a conservação, gestão sustentável de florestas e a valorização das reservas de carbono da floresta à lista das atividades elegíveis, representa um plano de PSE de múltiplas camadas com transferências de financiamento entre os países industrializados e os países em desenvolvimento na troca pelas reduções de emissões, e novas transferências do plano nacional de proprietários rurais e comunidades florestais.”

As recomendações sobre governança internacional são muito questionáveis, sobretudo no que diz respeito ao sistema de comércio internacional, onde a defesa da conclusão da Rodada de Doha pode ser considerada como no mínimo ultrapassada: “As negociações atuais da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio oferecem a oportunidade de promover uma economia verde. Uma conclusão bem sucedida destas negociações poderia contribuir para a transição para uma economia verde. Por exemplo, as negociações estão atualmente centradas na eliminação dos subsídios à pesca, que muitas vezes contribuem diretamente para o excesso da pesca. Há outra oportunidade com relação às negociações objetivando a redução das barreiras tarifárias e não tarifárias sobre bens e serviços ambientais. Um estudo do Banco Mundial concluiu que a liberação comercial poderia resultar em um aumento de 7-13% nos volumes de comércio destas mercadorias. Finalmente, as negociações em andamento para liberar o comércio na agricultura esperam conduzir a uma redução nos subsídios agrícolas em alguns países desenvolvidos que devem estimular a produção agrícola mais eficiente e sustentável nos países em desenvolvimento. É essencial, no entanto, que os países em desenvolvimento sejam apoiados através da capacitação para explorar plenamente os ganhos potenciais proveitos da liberação do comércio, especialmente no contexto de uma transição para uma economia verde.”
A insistência em manter os atuais fluxos globais de liberalização do comércio e investimentos, ao invés da relocalização e do encurtamento dos circuitos entre produção, distribuição e consumo, faz desse argumento a cereja do bolo no conjunto de defesas pró-mercado e corporações: “O sistema de comércio internacional pode ter uma influência significativa sobre a atividade econômica verde, permitindo ou obstruindo o fluxo de bens, tecnologias e investimentos verdes. Se os recursos ambientais são cobrados devidamente a nível nacional, então o plano de comércio internacional permite que os países explorem sustentavelmente suas vantagens comparativas em recursos naturais que beneficiam tanto o país exportador como importador. As regiões com escassez de água, por exemplo, podem diminuir a pressão sobre o abastecimento local importando produtos de água das regiões com água abundante.”
O relatório conclui com um capítulo sobre financiamento que mais uma vez não trata da questão distributiva nem de novas diretrizes e prioridades de financiamento, focalizando nas fontes potenciais de captação para a transição: “Enquanto a escala de financiamento necessário para a transição à economia verde é substancial, esta pode ser mobilizada por uma política pública inteligente e mecanismos inovadores de financiamento. O rápido crescimento dos mercados de capitais, as orientações para o crescimento verde destes mercados, a evolução dos instrumentos dos mercados emergentes, tais como o financiamento e micro financiamento do carbono, e os fundos de estímulos verdes estabelecidos em resposta à desaceleração econômica dos últimos anos, estão abrindo espaço para o financiamento em larga escala do processo de transformação econômica verde mundial. (…) Serão necessários mecanismos financeiros adicionais para manter o capital natural mundial. Além do financiamento climático, o Programa REDD (Iniciativa da ONU para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) – uma iniciativa lançada em setembro de 2008 pelas organizações FAO, PNUD e PNUMA para dar apoio aos esforços nacionais para reduzir o desmatamento e a degradação das florestas e melhorar as reservas de carbono florestais – em conjunto com outros mecanismos da REDD+ podem fornecer um veículo de financiamento para guiar a transição para uma economia verde. As doações para a REDD+, incluindo o Programa REDD, REDD+Parceria, Mecanismo de Parceria de Carbono Florestal, o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) e o Programa de Investimento Florestal (FIP, na sigla em inglês) entre outros, atualmente somam US$5 bilhões em 2012. Como parte de projetos-piloto em andamento do REDD+, há cada vez mais evidências de que tais “pagamentos por serviços ambientais” são muito promissores não somente para a regulamentação climática e os serviços de conservação da biodiversidade, mas também ampliam a escala de recursos para as comunidades que são as guardiãs a nível paisagístico. O Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF, na sigla em inglês) é outro importante veículo de financiamento para a economia verde que precisa ser escalonado e fortalecido. (…)Além desses mecanismos, as instituições financeiras de desenvolvimento a níveis internacional e nacional vão desempenhar um papel-chave no apoio à economia verde.”

Ao propor parâmetros de debate com tantos elementos de controvérsia, é claro que a economia verde tem encontrado fortes resistências por parte de conjuntos de países nas negociações rumo a Rio+20. Diversos países do Sul percebem as propostas de economia verde como potencial bloqueio ao desenvolvimento; os países do Norte hoje têm suas economias fortemente baseadas nos setores de serviços, já que transferiram suas indústrias sujas para os países do Sul, e portanto para o Norte seria mais fácil e muito mais barato fazer a transição. É um debate crucial a definição de quem pagará – e como – pela transição de processos produtivos sujos que o Norte instalou no Sul.

“O conceito de uma “economia verde” não substitui desenvolvimento sustentável, mas hoje em dia existe um crescente reconhecimento de que a realização da sustentabilidade se baseia quase que inteiramente na obtenção do modelo certo de economia”. Ao contrário do que afirma o controverso relatório-guia do PNUMA, o problema central a ser enfrentado pela conferência e pelo planeta não é sobre a substituição de uma economia marrom pela economia verde, quando são os mesmos atores os encarregados dessa substituição. É sobre se, antes da economia, haverá uma mudança na correlação de forças que faça possível que a política internacional e nos planos nacionais seja dirigida pelo imperativo dos direitos dos povos e pela justiça social e ambiental, e por um profundo debate societário sobre os caminhos do futuro, ao invés de continuar aprofundando a crise planetária para continuar enchendo os bolsos das corporações.

A financeirização da natureza e o crescimento verde não evitarão o colapso do planeta, que só reencontrará o equilíbrio através de múltiplas estratégias econômicas que libertem a humanidade da carga do lucro privado como fator de progresso, da primazia dos direitos territoriais dos povos, de políticas e fundos públicos com controle social, e de uma nova correlação de forças que democratize o sistema internacional, o liberte do seqüestro das corporações e o reoriente em favor da justiça social e ambiental.

(*) Com contribuições de Jean Pierre Leroy.
[1] http://www.unep.org.br/admin/publicacoes/texto/1101-GREENECONOMY-synthesis_PT_-_online_version.pdf

Carta dos atingidos por desastres climáticos

Segue carta que saiu do seminário nacional de atingidos por eventos extremos, realizado pelo Fórum Mudanças Climáticas Justiça Social.

CARTA DOS ATINGIDOS POR DESASTRES CLIMÁTICOS AO POVO BRASILEIRO

Nos dias 10 a 12 de setembro de 2011, nos reunimos em Brasília, Distrito Federal, para discutir as questões relacionadas aos desastres causados por eventos climáticos extremos que sofremos na pele em várias regiões do Brasil nos últimos anos. Foram enchentes, deslizamentos de terra, secas, tornados, chuvas de granizo, trombas d’água, mudança das marés, assoreamento de rios. Muitas pessoas morreram e muitos perderam tudo o que tinham na vida: suas casas, seus familiares e o fruto de seu trabalho. Esses eventos extremos são causados pela má utilização do solo, da água e do ar, emissão de gases causadores do aquecimento global, desmatamento das florestas, dos mangues e das matas ciliares dos rios e nascentes, uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos, queimadas, construção de grandes barragens hidrelétricas e usinas nucleares, falta de manejo adequado do lixo, poluição por resíduos domésticos e industriais, carcinicultura, monocultura em todas as suas espécies, como soja, eucalipto, pinus, cana e pecuária, e por fim por um modelo de desenvolvimento que visa o lucro acima de tudo, sem considerar as conseqüências para as vidas que são colocadas em risco pelas atividades que agridem o meio ambiente.
Sabemos que os verdadeiros causadores dos fatores que levam aos desastres são as grandes indústrias, a produção e o uso de combustíveis fósseis, o agronegócio e as multinacionais todas em sua busca irresponsável por produtividade e lucro, o Governo Brasileiro que não prioriza a sustentabilidade em suas políticas públicas e que além de permitir, incentiva em todas as suas instâncias financeiramente as atividades destruidoras do meio ambiente. E por fim, os países ricos, grandes causadores das emissões de gases e que não aceitam reduzir suas emissões para evitar o agravamento do aquecimento do planeta.
No entanto, quem sofre as conseqüências somos nós. Nas áreas vulneráveis os governos tratam a questão com descaso. As políticas de defesa civil não são implementadas, os sistemas de alerta de desastres não funcionam, os governantes usam de forma demagógica o sofrimento das pessoas, e quando os desastres acontecem, a maior parte dos recursos públicos enviados para as comunidades não chegam aos necessitados. Até mesmo parte das doações enviadas por solidários de todos os cantos do país e do mundo são desviadas por autoridades corruptas e desalmadas.
Agradecemos de todo o coração a solidariedade enviada pelas boas pessoas espalhadas pelo Brasil e pelo mundo que se sensibilizaram perante o nosso sofrimento enviando donativos que, quando chegaram a nós, ajudaram a amenizar as nossas dores e a aquecer os nossos corações, renovando as nossas esperanças naquele momento angustiante de tão grandes perdas.
Pedimos à sociedade que se una a nós no esforço de buscar alternativas que evitem que milhares de outras famílias venham a sofrer as dores que sentimos e que ainda estamos sentindo, pelas consequências dos desastres que nos atingiram. É preciso seriedade dos 3 níveis de poder no tratamento da questão ambiental. Precisamos também reduzir as emissões de gases que provocam o aquecimento global interferindo no clima e causando os eventos extremos. Precisamos mudar o modelo de desenvolvimento, baseado no consumo desenfreado, e buscar alternativas que objetivem a sustentabilidade e a racionalidade na produção e no consumo de produtos e ainda na geração de energia, buscando uma relação harmônica com a natureza. Precisamos praticar o bem-viver. Precisamos que a sociedade se una a nós na criação de um movimento nacional que dê o passo seguinte nessa luta. Pressione os governos para criar políticas publicas que reduzam a vulnerabilidade das comunidades, aumentem as instancias de participação popular, implementem sistemas de prevenção, salvação e reconstrução.
A luta por justiça social, dignidade e respeito no nosso pais é árdua. Nosso compromisso é lutar pela melhoria das condições de vida dos atingidos e para evitar novos sofrimentos com os eventos extremos causados pelas mudanças climáticas.
Brasília, 12 de setembro de 2011.
Atingidos e atingidas por eventos climáticos extremos dos seguintes Estados:
Maranhão, Piauí, São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Alagoas, Santa Catarina, Pará, Rio Grande do Sul, Amazonas, Bahia, Sergipe, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Mato Grosso.

Cisternas de plástico derretem ao sol

Repassando notícia sobre programa de cisternas do governo.

Por Roberto Malvezzi (Gogó)

 

As imagens, divulgadas pela ASACOM (Assessoria de Comunicação da ASA), são impressionantes. As cisternas de plástico, que o governo garantiu duração de 15 anos, não resistiram três meses sob o sol e as chuvas do sertão, particularmente em Cedro, Ceará.

 

O dinheiro público (Cinco mil reais cada), os resíduos, a decepção das famílias, tudo faz parte do lixo despejado pelo governo federal no semiárido. Quem será responsabilizado?

 

Antes se diziam que no Brasil não há memória. Mas, hoje, cada celular é uma câmara fotográfica e a rede de internet põe no mundo o que se quer. Portanto, a vigilância será permanente.

 

É verdade que o governo recuou e comprometeu-se a refazer o contrato com a ASA para continuar a convivência com o semiárido da sociedade civil. Recuou também de 300 mil cisternas de plástico para 60 mil. Mesmo assim, diante do que salta aos olhos, ainda vai despejar 60 mil peças de lixo plástico na cabeça dos nordestinos.

 

Merecemos mais respeito.


Que é isto – uma floresta? Marketing verde e o código de Claudentina como resistência discursiva

No horizonte da Rio +20 e das conferências do clima e da biodiversidade, as florestas são tema de uma intensa campanha discursiva em todo o mundo. Não é à toa que 2011 foi eleito pela ONU como Ano Internacional das Florestas. No Brasil, o debate ganha força com a flexibilização do Código Florestal pelo Congresso
por Marcelo Calazans
 

Evidenciando a importância das florestas para a vida do planeta, um conjunto articulado de enunciados de diversos autores, línguas e gêneros, buscam mobilizar a opinião pública internacional, Estados, corporações, organizações e indivíduos para a necessidade e urgência de proteger as florestas. A provisão de água, alimentos, madeira, fármacos etc.; a regulação dos ciclos hidrológicos e climáticos; a decomposição e reprodução da vida – a defesa das florestas, como slogan de campanha, parece um signo perfeito: um significante com significado unívoco, quer dizer, sem polissemia, ambiguidades, dúvidas de interpretação; um sentido universal. Quem poderia ser contra a defesa das florestas? Trata-se de um tipo de campanha discursiva que busca construir um “nós” que é ao mesmo tempo emissor e destinatário da própria campanha. No jargão inglês, uma campanha win-win, quer dizer, “vencedor-vencedor”, todos ganham e ninguém perde.

À campanha da FAO e da ONU de defesa das florestas se somam, entre inúmeras outras, as iniciativas do Banco Mundial, Programa de Proteção das Florestas; British Petroleum,Nova Floresta: Brasil-Escócia; Petrobrás, os orquidários; Fibria; Veracel; Suzano; Vale do Rio Doce; Plantar etc. Além da iniciativa das indústrias de celulose e siderurgia verde, omanejo florestal sustentável , e de WWF, os plantios de nova geração. Formou-se inclusive um grupo internacional chamado Diálogo Florestal, reunindo empresas, sociedades científicas e certificadoras, além de organizações ambientalistas, com o objetivo de “identificar agendas comuns entre empresas e ambientalistas, para a promoção de ações efetivas associadas à produção florestal, de modo a ampliar a escala dos esforços de conservação e restauração do meio ambiente”[1]. Entre seus princípios, oDiálogo Florestal afirma a “integração de ativos das organizações ambientalistas e empresas”. O governo federal, através do Plano Nacional de Florestas, da política de mudanças climáticas e do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf Florestal), além do BNDES, participa desse empenho florestal.

Qualquer busca pela internet explicita a enorme quantidade de links de proteção e promoção das florestas.  O que não se explicita, nas primeiras buscas e nos títulos, é o que se entende, e se quer fazer entender, quando se enuncia: “floresta”. Uma pretensa obviedade do conceito, em geral, impede a pergunta: “afinal, o que é isto, uma floresta?”.

Para a FAO, quem informa o conceito que rege as conferências internacionais do clima e da biodiversidade, as florestas significam:

Terras que se estendem por mais de 0,5 hectares, dotadas de árvores de uma altura superior a 5 metros e uma cobertura de dosel superior a 10%, ou de árvores capazes de alcançar esta altura[2].

No Protocolo de Kyoto e nos documentos internacionais sobre clima, seguindo o sentido da FAO, define-se a floresta que deve ser defendida e promovida, por exemplo, nos mecanismos de flexibilização das cotas de redução dos países do Norte, como o MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo). Floresta é:

Superfície mínima de terras entre 0,05 e 1 ha, com uma cobertura de copas (ou uma densidade de população equivalente) que excede de 10 a 30% e com árvores que possam alcançar uma altura mínima dentre 2 e 5 metros em sua maturidade in situ. Uma floresta pode consistir em formações florestais densas, onde árvores de diversas alturas e o sub-bosque cobrem uma proporção considerável do terreno, ou ainda uma massa florestal clara. Se consideram florestas também as massas florestais naturais e todas as plantações jovens que ainda não alcançaram uma densidade de copas entre 10 e 30%, ou uma altura de árvores entre 2 e 5 metros, assim como as superfícies que normalmente formam parte da zona florestal mas que carecem temporariamente de população florestal em consequência da intervenção humana, por exemplo da exploração, ou de causas naturais, mas que se espera voltarão  a converterem-se em floresta[3].

Para Dona Claudentina, quilombola sexagenária da comunidade de Angelim, no Sapê do Norte do Espírito Santo, floresta é: “um lugar onde a gente ia colher frutos e sementes, cipós, madeira, plantas, raízes; caçar, pescar. Era também um lugar de fé”.

Claudentina fala “floresta” desde sua experiência com a Mata Atlântica capixaba, em um tempo passado, pois, a partir dos 20 anos de idade, viu sua floresta derrubada e substituída pelo manejo florestal da Aracruz-Fibria e da Bahia-Sul Suzano.

Comparadas à tese de Claudentina, as definições oficiais são claramente insuficientes e formais, quer dizer, não predicam do sujeito “floresta” nenhum conteúdo substantivo. São definições matemáticas, provenientes da engenharia florestal, que enquadram o termo floresta como uma “extensão de terra”, uma “superfície de área”, com determinadas características, também quantitativas, de árvores em diferentes estágios de crescimento. Que espécies de árvores são essas? A que usos estão associadas? A quem pertence a área? Há conflito ou ameaça? Também, no discurso oficial, não há nenhuma referência a outras formas de vida que habitam as florestas: fungos, vegetação não arbórea, animais, povos e ainda o rico universo imaterial da fé de Claudentina. Na fórmula oficial, o diálogo florestal se dá em um código muito específico e limitado, com pouca alternância qualitativa de sujeitos falantes, embora se pretenda um “diálogo” e universalidade.

Na análise de discurso (Kerbrat-Orecchioni, Barthes, Maingueneau), a maior parte dos enunciados tem, além de seu conteúdo explicito, um ou vários conteúdos implícitos, “que vêm se enxertar no precedente, e podem mesmo substituí-lo em seu favor, em caso de tropo implicativo, isto é, quando, no contexto, o conteúdo implícito sobrepuja o explícito” [4]. É o caso da definição oficial de floresta.

Uma importante chave de interpretação da gramática hegemônica: o conceito da FAO, que rege o diálogo florestal, deixa implícito que floresta pode ser também (ou principalmente) interpretada e co-enunciada como: plantação química, de apenas uma espécie de árvore, de rápido crescimento e em larga escala. Na definição oficial de floresta subjaz esse sentido, como tropos implicativo, drenando para as plantações industriais e compensatórias grande parte dos investimentos financeiros, das políticas públicas e privadas, da pesquisa científica.

Não teria o menor apelo simbólico uma campanha de proteção às monoculturas industriais e transgênicas de eucalipto, por exemplo. Também não teria forte apelo uma campanha de plantio, mesmo que de espécies nativas, se associada explicitamente a compensações por derramamentos de petróleo ou contaminação genética ou nuclear.  Se no imaginário mass-mediano da sociedade civil a proteção da floresta soa como atividade voluntária, de defesa das matas e povos nativos, lugar de diversidade, de ciclos longos, sem agroquímicos, para usos comunitários locais e para o bem comum da sociedade civil. Na semiologia das corporações, floresta é depósito calculável de fibra, carbono e recursos naturais, ou espaço compensatório de um modelo de desenvolvimento insustentável e em expansão. O discurso implícito evita o choque semântico, encobre as condições sociais e ambientais de emergência dos discursos, e conduz o sentido do diálogo florestal através de uma gramática de poder, ancorada no léxico disciplinar das ciências florestais, e das corporações econômicas inseridas no agronegócio das árvores.

A aparente universalidade de sentido esconde uma acirrada disputa discursiva entorno do conceito de floresta. Não se trata de uma disputa apenas no mundo das ideias e das palavras, mas que define o sentido das políticas e o destino dos próprios territórios e povos florestais.

No Brasil, enquanto a forte bancada do agronegócio desmonta o código florestal no parlamento, as políticas têm por núcleo central a expansão da “base florestal” de eucalipto e pinus dos atuais 6,5 milhões para 12 milhões de hectares, fundamentalmente para abastecer as plantas celulósicas e siderúrgicas, instaladas no Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Bahia, e planejadas para Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Rio de Janeiro, Pará. O pretexto é múltiplo: “recuperar áreas degradadas”, na Bahia, “neutralizar o Carbono dos “mega-eventos” no RJ, “evitar o apagão florestal”, em SP, “criar um pólo florestal” no MA e PA”, “mecanismo de desenvolvimento limpo”, em MG, “poupança florestal” no RS. O sentido é mais linear: criar as condições simbólicas e sociais, financeiras, ambientais e jurídicas, de promoção dos plantios de eucalipto de rápido crescimento.

O Código Florestal, na medida em que interpreta floresta como “bem comum” e busca regular seu uso social e sua proteção, não permite a semântica da expansão ilimitada do agronegócio, da carne, da soja, da cana, do eucalipto. Por isso sua desconstrução discursiva e territorial, tais como nas reservas legais, nas áreas de preservação permanente, nos sistemas agroflorestais. O diálogo florestal impõe seu novo código: economia verde, agrocombustíveis de primeira e segunda geração, agricultura de baixo carbono, biologia sintética, transgenia, agroquímicos.

Na fala de Claudentina, o Código Florestal não é uma letra morta. Ao contrário, permite transmitir para as gerações mais jovens (<40 anos), pós-eucalipto, o sentido da mata ciliar ao longo dos córregos e nascentes, hoje não mais existentes. Permite falar da lagoa do Murici, onde ia pescar em Angelim, totalmente coberta e seca, depois de 40 anos de manejo dos eucaliptos da Aracruz-Fibria. O código permite, enfim, a memória discursiva de um território criminosamente devastado pelo agronegócio. Através dele, Claudentina é testemunha de incalculável dívida social e ambiental do agronegócio com os povos florestais e com a sociedade brasileira. A memória de Claudentina não é apenas retroativa, mas elemento central de um discurso de resistência, que se volta para a reconquista e reconversão territorial. A memória discursiva é também desde onde se podem emergir os discursos projetivos, as hipóteses e enunciados da transição pós-eucalipto, necessária para os quilombolas do século XXI.

Paralisados no desmonte federal do INCRA, e na catatonia estadual do IDAF (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal), os processos de regularização territorial no Sapê do Norte do Espírito Santo pouco avançam e, em alguns casos, retrocedem, como em Angelim, cujo relatório de identificação vai ser refeito pela terceira vez. Quase uma década de Era Lula-Dilma ,e a questão territorial dos quilombos no Sapê do Norte passa à margem das pautas dos governos. Apenas uma (Serraria-São Cristóvão), das 32 comunidades teve seu relatório definitivamente publicado em Diário Oficial da União.

No mesmo parlamento de desmonte do Código Florestal, cresce o lobby do agronegócio para a desconstrução do artigo 68 da Constituição Federal, do decreto 4887/2003 e da adesão brasileira à Convenção 169 da OIT. As grandes corporações integradas ao agronegócio buscam desregular a proteção jurídica das comunidades quilombolas, conquistada a partir da constituição de 1988 –  depois de um século da abolição formal (1888), ocorrida 38 anos depois da Lei de Terras (1850).

Claudentina, seus irmãos e irmãs trazem à memória narrativas de/sobre seus antepassados de Angelim, que remonta ao século XVIII, tal como em documento elaborado pela comunidade, em cobrança da dívida ambiental junto à Fibria-Aracruz.

O Barão de Trancoso era dono das terras onde está localizada parte da comunidade de Angelim 1. Ele utilizava escravos emprestados do Barão de Timbuí, que era seu primo e um sesmeiero. Nesta época, as culturas desenvolvidas na comunidade eram café, mandioca e gado. Descendentes do Barão de Trancoso, hoje, compõem o núcleo Guimarães. O canoeiro do fazendeiro, chamado Adão, teve vários filhos, dentre eles o Sr. Bento e o neto Sr. Eugênio, cujos descendentes formam os núcleos Batistas e Silvares. Aqueles que habitavam nas terras do Barão de Timbui adquiriram o direito de posse das terras. Mas as famílias que habitavam nas terras ocupadas pelo Barão de Trancoso não acessaram o mesmo direito.

 

Em todo Sapê do Norte, estima-se que viviam algo entre 12 e 15 mil famílias quilombolas, nos anos pré-eucalipto. Dessas, apenas 1.200 resistem em 2011 nas comunidades. De cada 100 famílias, 90 migraram para as periferias urbanas da região. Por outro lado, no mesmo período, os eucaliptais se expandiram por todo o Sapê e a Aracruz-Fibria se tornou a maior produtora de celulose de eucalipto do planeta.

O discurso da resistência quilombola denuncia a falsa universalidade das estratégias win-win, como pacto entre vencedores, como grau zero da história e da memória. Seguindo a famosa tese de Rubião – “aos vencedores as batatas”, parece que não houve batatas para todos. O código de Claudentina explicita que nem todos venceram, denuncia a injustiça ambiental, e através de uma arqueologia da memória discursiva, busca ressignificar floresta e território como bem comum. A formação discursiva da resistência busca referências espaciais e temporais para os quilombos do século XXI. Neste sentido, o Sapê do Norte e o próprio termo “quilombola” é também uma construção narrativa da resistência que se projeta para o futuro, contra a historiografia racista oficial.

No código de Claudentina, a reconquista das terras, a reconversão da monocultura para floresta, as oportunidades de fixação dos jovens nos quilombos, a transmissão do saber tradicional da Mata Atlântica, a recuperação das nascentes, córregos e lagoas, trazem o embrião de uma reescrita territorial.

Floresta: substantivo feminino. “Um lugar onde agente irá colher frutos e sementes, cipós, madeira, plantas, raízes; caçar, pescar. Será também um lugar de fé”.

 

Marcelo Calazans

Sociólogo, coordenador da FASE-ES e membro da Rede Alerta contra o Deserto Verde.

 
 

[1] Cf. DIÁLOGO FLORESTAL. http://www.dialogoflorestal.org.br.

[2] FAO. Evaluación de los recursos forestales mundiales 2010, Anexo 2. Términos y definiciones utilizados em FRA 2010.

[3] Decisão 11/CP-7. Anexo 1 (a) adoptada em Marrakech.

[4] Catherine Kerbrat-Orecchioni, 1986.

 

 

Retirado da revista Le Monde Diplomatique Brasil

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