A negociação do acordo climático global está em uma entressafra. Poucos avanços devem acontecer antes de 2015, a data prevista para que os países negociem o tratado no qual todos deverão ter metas obrigatórias de redução de gases-estufa. Números só devem entrar em cena em 2020.
Em Bonn, na Alemanha, diplomatas estão reunidos esta semana para discutirem o que cada país pode fazer até 2020 e como avançar na negociação do novo acordo de forma a evitar as travas do passado. Os 15 negociadores brasileiros têm como missão em Bonn não fechar as portas para novas ideias. É um encontro para debater. Não há nenhuma expectativa de que saia alguma decisão da reunião na Alemanha.
O encontro previsto para o final do ano em Varsóvia, na Polônia (conhecido por CoP-19), só será relevante se os poloneses conseguirem provar que a estrutura que se criou até agora nas negociações está funcionando. Ou seja, se o Fundo Verde está implementado, se o mecanismo de tecnologia está em operação, se o fundo de adaptação ajuda os países mais vulneráveis aos impactos da mudança do clima mesmo sem os recursos financeiros que se esperavam.
A crise econômica abateu o protagonismo europeu e vem dilapidando seu mercado de créditos de carbono, o único realmente importante. As boas notícias são frágeis: os Estados Unidos reduziram emissões com a exploração de gás de xisto (que é um combustível fóssil) e o maior emissor de gases-estufa do mundo, a China, vem aumentando suas emissões em um ritmo menor do que no passado.
Um novo impulso nas negociações pode vir dos resultados do 5º relatório do IPCC, o braço científico das Nações Unidas, com os cenários de um mundo que está aquecendo. Em 2007, quando foi divulgado o 4º relatório, em Paris, o tema inundou o noticiário internacional. O próximo relatório será lançado em fases a partir de setembro e terminando em outubro de 2014. “Para convencer os governos a agirem agora, só com um imenso apoio da sociedade civil”, diz outro negociador. “E a sociedade pode se mexer diante das previsões ruins dos cientistas”, aposta ele.
“A tragédia da mudança do clima é que nenhum governo quer tomar hoje uma medida que será péssima para a economia do próprio país e cujos benefícios só virão anos depois deste governo ter saído do poder”, diz um diplomata. “Não vão ganhar nada politicamente”, continua. “Todos os países terão setores econômicos que irão perder muito. Todos têm setores frágeis”, continua. A Inglaterra e o Japão, por exemplo, têm problemas sérios de geração de energia. A indústria brasileira, por seu turno, teme perder competitividade.
O novo acordo global deve sair na conferência do clima marcada para Paris, em 2015. Mas o que hoje se especula é que ali não devem ir chefes de Estado, apenas negociadores. É o efeito do fracasso da conferência de Copenhague, em 2009, quando se esperava que os governos chegassem a um acordo para enfrentar a mudança climática e todos os líderes se encontraram na Dinamarca. Mas o resultado final foi um fiasco.
Um encontro mais robusto pode acontecer em setembro de 2014, em Nova York, em reunião de cúpula recentemente convocada por Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas. O modelo do encontro foge às tradicionais conferências climáticas, as CoPs, onde as decisões têm que ser tomadas por consenso e estão emperradas há anos.
Daniela Chiaretti
Fonte: Valor Econômico, 11/06/13







Escrito
em 20/05/2013